O Líbano velho (e novo) de guerra
Você está confuso com a Síria? Está cansado de acompanhar o conflito? Então,
vá para o Líbano, Ainda não dá para ficar cansado, mas a confusão é imediata.
Era wishful thinking que a degringolada na Síria não sugaria o país
vizinho, enfronhado nas suas bizantinas e voláteis divisões sectárias e
políticas. Para começo de conversa, são 18 seitas no país (com sua subdivisões
entre muçulmanos e cristãos). A duras penas, o país até agora evitou uma nova
guerra civil como a que prosperou entre 1975 e 1990.
Desde então, grandes diferenças foram o fortalecimento do movimento xiita Hezbollah (hoje peça importante do governo, embora seja terrorista) e a diluição da influência cristã (hoje, 40% da população). Para dar uma medida da confusa volatilidade, um dos mais importantes líderes cristãos no final da guerra civil era o ex-comandante do Exército, Michael Aoun, que combatia muçulmanos, outras milícias cristãs e os sírios que invadiram o Líbano e praticaram um grande massacre de centenas de civis e soldados desarmados em Beirute em outubro de 1990. Hoje, Aoun é aliado da Síria e do Hezbollah.
Agora, a mais virulenta divisão sectária no Líbano é entre sunitas e xiitas (e não entre muçulmanos e cristãos). No sábado, no décimo-terceiro aniversário da retirada de Israel no sul do Líbano (naquelas bandas não é salada russa, mas de couscous), o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, assumiu publicamente que sua milícia terrorista está metida até o pescoço na guerrra civil síria, ao lado do ditador Bashar Assad e do patrono de ambos, o regime xiita iraniano. Milicianos do Hezbollah estão lutando e morrendo nos combates pelo controle da estratégica cidade de Qusair, a 10 quilômetros da fronteira.
Do outro lado da guerra civil síria, estão basicamente os sunitas (a grande maioria da população do país) e seus combatentes mais aguerridos são extremistas islâmicos, muitos deles jihadistas estrangeiros. Militantes sunitas libaneses se engajaram mais a fundo na guerra civil do país vizinho ao lado dos rebeldes. No dia seguinte ao pronunciamento de Nasrallah, no domingo, foguetes foram disparados contra o baluarte do Hezbollah nos subúrbios do sul de Beirute. O comando militar dos rebeldes sírios nega envolvimento.
Semanas atrás, Israel já tinha bombardeado na Síria depósitos de foguetes sofisticados destinados ao Hezbollah. Para Nasrallah, o Hezbollah, a Síria e o Irã compõem o bloco de resistência contra os EUA e Israel. O grupo terrrorista sunita Al Nusra, que combate na Siria e é ligado à rede Al Qaeda, promete “queimar” Beirute em represália às ações do Hezbollah na guerra civil síria.
Já nos campos de refugiados palestinos na Síria e do Líbano, há grupos apoiando os dois lados na guerra civil síria e se posicionando com a escalada do conflito libanês. No norte do Líbano, está em curso uma miniguerra civil em Trípoli, a segunda cidade do país, entre sunitas e alauítas, a seita minoritária de Bashar Assad. Com alarme, Israel desgosta de todos os lados no conflito. mas em termos estratégicos seu maior foco continua sendo o inimigo iraniano.
Houve tempos em que líderes sunitas libaneses elogiavam o Hezbollah por resistir contra Israel, sua razão de ser. Hoje o grupo atua como capanga do ditador Assad e do aiatolá Khamenei, resistindo contra o avanço sunita na Síria, no mosaico de conflitos no Oriente Médio. Nasrallah promete lutar na Síria até a vitória de Assad (o que não vai acontecer). O Hezbollah diz que não deseja uma guerra civil no Líbano, mas irá arrastar o país para uma, em nome dos interesses do seu bloco. Para o ex-ministro libanês Saad Hariri, líder sunita apoiado pelos sauditas, Nasrallah está cometendo suicídio político e militar com seu engajamento na Síria. Mas por autointeresse, talvez Nasrallah não tivesse outra alternativa. Sem Assad, o Hezbollah pode não sobreviver.
A Síria hoje é o Líbano de ontem e o Líbano poderá ser amanhã a Síria de hoje.
Desde então, grandes diferenças foram o fortalecimento do movimento xiita Hezbollah (hoje peça importante do governo, embora seja terrorista) e a diluição da influência cristã (hoje, 40% da população). Para dar uma medida da confusa volatilidade, um dos mais importantes líderes cristãos no final da guerra civil era o ex-comandante do Exército, Michael Aoun, que combatia muçulmanos, outras milícias cristãs e os sírios que invadiram o Líbano e praticaram um grande massacre de centenas de civis e soldados desarmados em Beirute em outubro de 1990. Hoje, Aoun é aliado da Síria e do Hezbollah.
Agora, a mais virulenta divisão sectária no Líbano é entre sunitas e xiitas (e não entre muçulmanos e cristãos). No sábado, no décimo-terceiro aniversário da retirada de Israel no sul do Líbano (naquelas bandas não é salada russa, mas de couscous), o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, assumiu publicamente que sua milícia terrorista está metida até o pescoço na guerrra civil síria, ao lado do ditador Bashar Assad e do patrono de ambos, o regime xiita iraniano. Milicianos do Hezbollah estão lutando e morrendo nos combates pelo controle da estratégica cidade de Qusair, a 10 quilômetros da fronteira.
Do outro lado da guerra civil síria, estão basicamente os sunitas (a grande maioria da população do país) e seus combatentes mais aguerridos são extremistas islâmicos, muitos deles jihadistas estrangeiros. Militantes sunitas libaneses se engajaram mais a fundo na guerra civil do país vizinho ao lado dos rebeldes. No dia seguinte ao pronunciamento de Nasrallah, no domingo, foguetes foram disparados contra o baluarte do Hezbollah nos subúrbios do sul de Beirute. O comando militar dos rebeldes sírios nega envolvimento.
Semanas atrás, Israel já tinha bombardeado na Síria depósitos de foguetes sofisticados destinados ao Hezbollah. Para Nasrallah, o Hezbollah, a Síria e o Irã compõem o bloco de resistência contra os EUA e Israel. O grupo terrrorista sunita Al Nusra, que combate na Siria e é ligado à rede Al Qaeda, promete “queimar” Beirute em represália às ações do Hezbollah na guerra civil síria.
Já nos campos de refugiados palestinos na Síria e do Líbano, há grupos apoiando os dois lados na guerra civil síria e se posicionando com a escalada do conflito libanês. No norte do Líbano, está em curso uma miniguerra civil em Trípoli, a segunda cidade do país, entre sunitas e alauítas, a seita minoritária de Bashar Assad. Com alarme, Israel desgosta de todos os lados no conflito. mas em termos estratégicos seu maior foco continua sendo o inimigo iraniano.
Houve tempos em que líderes sunitas libaneses elogiavam o Hezbollah por resistir contra Israel, sua razão de ser. Hoje o grupo atua como capanga do ditador Assad e do aiatolá Khamenei, resistindo contra o avanço sunita na Síria, no mosaico de conflitos no Oriente Médio. Nasrallah promete lutar na Síria até a vitória de Assad (o que não vai acontecer). O Hezbollah diz que não deseja uma guerra civil no Líbano, mas irá arrastar o país para uma, em nome dos interesses do seu bloco. Para o ex-ministro libanês Saad Hariri, líder sunita apoiado pelos sauditas, Nasrallah está cometendo suicídio político e militar com seu engajamento na Síria. Mas por autointeresse, talvez Nasrallah não tivesse outra alternativa. Sem Assad, o Hezbollah pode não sobreviver.
A Síria hoje é o Líbano de ontem e o Líbano poderá ser amanhã a Síria de hoje.
Comentários
Postar um comentário