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Irã mostra o que é 




É difícil definir o regime político do Irã desde que, em 1979, o aiatolá Khomeini arrancou o xá Reza Pahlevi do seu trono. É uma república clerical, uma teocracia ou uma espécie de califado xiita? Na verdade, os fatos ocorridos quarta-feira nos levam a rotular esse país como uma ditadura.

Fazendo uma retrospectiva: em 14 de junho haverá eleições presidenciais. O atual dirigente, Mahmoud Ahmadinejad, não pode concorrer, pois completa dois mandatos. Além disso, o último escrutínio foi escandalosamente fraudado, a ponto de milhares de jovens reformistas protestarem em Teerã e em outras grandes cidades.
A primeira formalidade com vistas à eleição é a escolha dos candidatos. O sistema é o seguinte: qualquer um pode se inscrever como "candidato à candidatura". Em seguida, o Conselho dos Guardiães da Constituição realiza uma triagem para decidir quem pode ser candidato.
O Conselho dos Guardiães é muito próximo do personagem considerado o mais poderoso da república islâmica, acima até mesmo do presidente. O guia supremo, que tem a última palavra em caso de litígio com o presidente e ocupa esse cargo perpetuamente (salvo algum imprevisto). Atualmente, o guia supremo é o aiatolá Ali Khamenei, que não é um progressista.
O conselho examinou a lista dos 686 pretendentes e selecionou oito. A decisão foi surpreendente. Foram eliminados dois personagens importantes que não seguem a linha do guia supremo. Akbar Hashemi Rafsanjani e Esfandiar Rahim Mashaei.
Rafsanjani tinha todos os atributos para ser escolhido: foi próximo do aiatolá Khomeini, criador da república islâmica, em 1979. É chamado de "Tubarão". Engendrou muitos assassinatos nos anos 90. Todas essas virtudes deveriam fazer dele um bom candidato.
Entretanto, há algum tempo, Rafsanjani assumiu um perfil curioso. Em primeiro lugar, é um homem rico, muito rico. Além disso, tem apoiado os liberais. Por fim, seu filho está preso e sua filha acabou de sair da prisão, pois ambos não estão muito de acordo com as normas em vigor.
Outro candidato eliminado é Rahim Mashaei. Seu caso é bem diferente. Ele é o braço direito do atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad. Constitui um perigo direto para Khamenei e também para a própria república islâmica. Como seu chefe Ahmadinejad, ele não é um espírito religioso. Ambos são conservadores e inimigos fanáticos do Ocidente e dos EUA. Mashaei é acusado de ter se desviado da religião, pois contesta abertamente o islamismo xiita tradicional.
Se a decisão de Ali Khamenei é escandalosa, existem motivos. Os dois pretendentes à candidatura constituem um perigo mortal para a república islâmica. Rafsanjani porque converteu-se à abertura política, aos direitos humanos, à democracia. Mashaei é ainda pior, pois, além de ser um inimigo do Ocidente, não é um indivíduo abençoado pelas luzes da fé muçulmana.
Os dados foram lançados. Khamenei pode recusar as decisões do conselho e restabelecer o direito de Rafsanjani e Mashaei a disputar a eleição. Alguns acreditam numa reviravolta que teria por objetivo proteger a unidade do Irã, um país que está cambaleando economicamente e num estágio avançado de decomposição política.
Se o aiatolá Khamenei tomar tal decisão, o Irã retornaria ao seu funcionamento normal. Se, pelo contrário, confirmar as exclusões decididas pelo Conselho dos Guardiães, ficará claro que o Irã hoje é realmente uma ditadura.

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