Mercados analisam economia venezuelana sem Chávez
Para especialistas ouvidos pelo 'The Wall Street Journal', mudança de comando abriria as portas do país para uma economia menos dominada pelo governo
Chávez anunciou no sábado
reaparecimento de câncer
Enquanto o presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
é submetido a uma quarta cirurgia em Cuba para tentar combater um câncer, os
mercados financeiros e os venezuelanos comuns começam a refletir sobre as
possíveis transformações no país, rico em petróleo, caso
o mandatário seja vencido pela doença. Chávez chegou a nomear seu
vice e ministro das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, como sucessor para
liderar a sua autoproclamada "revolução socialista" caso ele esteja
incapacitado.
De acordo com uma reportagem da publicação The
Wall Street Journal (leia na íntegra, em inglês), os preços dos ativos na
Venezuela têm subido, e os investidores de fato veem na recorrência do câncer a
real possibilidade da renúncia ou da morte do caudilho nos próximos meses. Para
especialistas ouvidos pelo jornal, essa mudança abriria as portas do país para
uma economia menos dominada pelo governo e aumentaria as chances de o país pagar
os estimados 80 bilhões de dólares em dívida externa. "É evidente que todo mundo
está prevendo o pior (para a saúde de Chávez). Estamos em uma fase de contagem
regressiva", disse Siobhan Morden, chefe de estratégia latino-americana da
empresa Jefferies & Co.
Se Chávez precisar deixar o cargo, uma eleição deverá ser realizada até 30 dias após sua saída. E os aliados do presidente venezuelano - que governa o país há 14 anos e acaba de ser reeleito para mais um mandato de seis anos - têm enviado mensagens de apoio pela internet. O vice Maduro, de 50 anos, mesmo sem o carisma de seu chefe, representaria uma continuidade do chavismo, como movimento populista de Chávez é chamado, caso venha a assumir o comando do país.
Se Chávez precisar deixar o cargo, uma eleição deverá ser realizada até 30 dias após sua saída. E os aliados do presidente venezuelano - que governa o país há 14 anos e acaba de ser reeleito para mais um mandato de seis anos - têm enviado mensagens de apoio pela internet. O vice Maduro, de 50 anos, mesmo sem o carisma de seu chefe, representaria uma continuidade do chavismo, como movimento populista de Chávez é chamado, caso venha a assumir o comando do país.
Ex-motorista de ônibus e ativista sindical, ele abraçou as visões de Chávez no cenário internacional nos últimos seis anos e indicou que seguiria as suas políticas, incluindo o controle pesado do estado sobre a economia. A declaração de Chávez apontando-o como sucessor irritou a oposição da Venezuela, que diz que os eleitores - e não o tirano - vão decidir quem o sucederá. O candidato da oposição Henrique Capriles, que perdeu para Chávez na eleição presidencial em outubro, mas obteve o recorde de 6,5 milhões de votos (44% do total), poderia ter uma segunda chance de chegar ao poder. No entanto, para além de qualquer eleição, o destino do chavismo depende principalmente da economia e dos preços do petróleo.
"O chavismo sem Chávez só poderá existir por um curto período de tempo", afirma Moises Naim, analista do instituto Carnegie Endowment for International Peace, em Washington. "Tudo vai depender dos preços do petróleo e de quais alianças os chavistas conseguirão fazer. Quase metade do país votou contra Chávez em outubro, e, com a economia em colapso, será difícil para o governo se manter", completa.
A economia da Venezuela cresceu cerca de 5% neste ano, graças aos gastos do governo antes das últimas eleições. Mas a moeda sobrevalorizada está causando uma grave escassez de dólares, prejudicando a capacidade do governo de importar qualquer produto, desde alimentos até carros. Muitos economistas esperavam que Chávez desvalorizasse o bolívar em janeiro de 2013, mas o plano pode ser adiado se houver a possibilidade de uma nova eleição. Dessa forma, o crescimento econômico deverá diminuir drasticamente.
"Se os preços do petróleo permanecerem relativamente altos, o chavismo poderá continuar sem Chávez", diz Javier Corrales, especialista do Amherst College, em Massachusetts. "Os regimes populistas entram em colapso sem dinheiro."
Comentários
Postar um comentário