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Chefe da Assembleia da Venezuela sugere adiamento da posse de Chávez


Segundo Diosdado Cabello, a vontade do povo é mais importante do que uma data especificada na Constituição

CARACAS - O chefe da Assembleia da Venezuela, Diosdado Cabello, disse nesta quarta-feira que, em sua opinião, poderia ser adiada a posse do presidente Hugo Chávez, que está em Cuba se recuperando de uma cirurgia complexa do câncer, porque a vontade do povo é mais importante do que uma data especificada na Constituição.
Chávez está em Cuba para tratar um câncer - Kimberly White/Reuters
 
Chávez está em Cuba para tratar um câncer

O militar aposentado de 58 anos está há mais de uma semana no hospital após uma cirurgia e na segunda-feira sofreu uma infecção respiratória que já foi controlada, segundo o governo, acrescentando que ele deve permanecer em repouso absoluto nos próximos dias, o que levanta dúvidas adicionais sobre sua recuperação.
Cabello disse que a data de 10 de janeiro, que de acordo com a Constituição é o dia em que Chávez deve assumir um novo mandato de seis anos, não está escrita em pedra.
"Você não pode prender a vontade de um povo a uma data. Então, se você não faz naquele dia, se não for no 10 (de janeiro), a vontade de 8 milhões de pessoas não vale?", disse Cabello a jornalistas, que também é líder do partido governista PSUV, segundo o jornal El Nacional nesta quarta-feira.
Ele disse que estava expressando sua opinião e que caberia ao Supremo Tribunal de Justiça fazer esclarecimentos.
Chávez está há 14 anos à frente do poder na potência petrolífera e, nesse período, conduziu o país a um modelo socialista montado quase que exclusivamente sobre sua enorme popularidade. Em 2011, ele foi diagnosticado com câncer na região pélvica e desde então tem estado dentro e fora da arena pública.
Cabello disse que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) ainda não fez um pedido de adiamento do dia da posse, pois o cenário que se coloca neste momento é que o presidente estará de volta no início do ano.
Infecção
Chávez surpreendeu os venezuelanos na semana passada quando, antes de ir a Cuba para uma quarta cirurgia, temporariamente entregou as rédeas do governo ao vice-presidente, Nicolas Maduro, e pediu para votarem nele caso sejam convocadas eleições presidenciais.
A cirurgia, que durou seis horas e teve outras complicações, não permitiu que o mandatário venezuelano se comunicasse diretamente com o povo como costumava fazer, mesmo após a vitória esmagadora do seu partido nas eleições regionais de domingo.
Desde que Chávez anunciou uma nova recorrência do câncer, a pergunta óbvia no país da América do Sul é se o presidente será capaz de tomar posse em três semanas.
A Constituição venezuelana, alterada em 2009 para permitir a reeleição contínua do presidente e governadores, diz que, se um candidato eleito não puder assumir, novas eleições devem ser realizadas em um prazo de 30 dias.
Mas também determina que "se por qualquer motivo ocorrido, o presidente da República não puder tomar posse perante a Assembleia Nacional, o fará perante o Supremo Tribunal de Justiça", o que de acordo com alguns juristas permitiria que Chávez fizesse o juramento na Embaixada da Venezuela em Havana, na presença de juízes.
Um funcionário do governo com conhecimento da saúde de Chávez disse que "o prognóstico do câncer não é bom". "Chávez está passando por uma situação muito degradante do ponto de vista humano... Seria um milagre conseguir jurar em 10 de janeiro", acrescentou o funcionário, que pediu anonimato.

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