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Em Paris, Dilma quer mudar política de Merkel para Europa


Presidente brasileira deseja unir forças com o líder francês, François Hollande, para buscar uma saída para o euro diferente da proposta da chanceler alemã


A presidente Dilma Rousseff com o presidente francês, François Hollande, no Rio de Janeiro
Dilma estaria decepcionada com a atuação de Hollande ante a crise europeia

A presidente Dilma Rousseff está em Paris nesta segunda-feira para cumprir uma agenda de três dias um tanto peculiar. Avessa a eventos políticos internacionais e visitas fora do Brasil, a presidente decidiu fazer sua segunda viagem à Europa em pouco mais de 15 dias para tentar convencer o presidente francês, François Hollande, a se posicionar de maneira mais contundente contra a política de austeridade fiscal defendida pela Alemanha.

A investida indireta de Dilma contra a política da chanceler alemã Angela Merkel ocorre dias depois de a presidente se irritar com a revista britânica The Economist por sua sugestão de mudanças na equipe econômica do país – a começar pela demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega. A proposta causou a fúria da presidente, que chegou a dizer que o governo jamais seria influenciado por uma revista estrangeira.


Em Paris, segundo reportagem do jornal Le Monde, Dilma tentará uma aproximação mais estreita com Hollande para estruturar políticas econômicas para a Europa que sejam, ao mesmo tempo, menos recessivas e mais direcionadas ao crescimento. Segundo o diário, Paris e Brasília têm bons argumentos para buscar um caminho diferente do que vem sendo aplicado no continente, com foco em ajustes de gastos e sem estímulo à expansão do Produto Interno Bruto (PIB) da união monetária. "Não é de hoje que François Hollande e Dilma Rousseff estão afinados quando se trata de questões econômicas. Além disso, ambos também compartilham um estilo diplomático mais suave do que seus antecessores, Nicolas Sarkozy e Luiz Inácio Lula da Silva", escreve o jornal.

No Brasil, não deu certo – Contudo, o jornal também argumenta que a defesa de uma política menos austera e mais desenvolvimentista por parte da presidente Dilma ainda não rendeu frutos ao próprio país que comanda. Prova disso é a dificuldade que o Brasil enfrenta para voltar a crescer de maneira significativa – sobretudo depois do resultado pífio do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que cresceu apenas 0,6%.

Dilma, contudo, não está frustrada apenas com o resultado do PIB, diz o Le Monde. O jornal francês relata que a presidente também tem se decepcionado com a atuação de Hollande no contexto da crise do euro. "Ela esperava que Hollande fosse o indutor de uma outra política econômica europeia. E ela estaria decepcionada pela falta de vigor francesa na cena europeia e por sua fraca capacidade de resistência frente a atuação de Angela Merkel", mostra a reportagem.

Caças - Apesar de a agenda oficial não incluir uma referência explícita à licitação brasileira de 36 aviões caça por empresas concorrentes da França, dos EUA e da Suécia, a questão tem estado no centro das conversações bilaterais nos últimos anos. O porta-voz do Ministério francês das Relações Exteriores, Philippe Lalliot, disse nesta segunda-feira que "esta é uma decisão soberana do Brasil". "A presidente Dilma Rousseff conhece a qualidade da nossa parceria, especialmente no que diz respeito à transferência de tecnologia e nós mostramos na execução de contratos anteriores a qualidade e a realidade dos compromissos da França nessa área", disse Lalliot.

A empresa francesa Dassault, com seu modelo Rafale, a norte-americana Boeing, com seu F/A-18 Super Hornet, e o sueco Saab, com o Gripen NG, disputam o contrato de cerca de 5 bilhões de dólares para a renovação da frota de aeronaves do Brasil.

A princípio, a decisão era esperada para 2011, mas o governo brasileiro a adiou devido a problemas orçamentários associados com a desaceleração da economia após a crise global. Para o fim de setembro, um funcionário de alto escalão do governo brasileiro disse à AFP que a decisão final será anunciada em 2013 e que o governo já tem um favorito.

Petismo em Paris – A presidente da República também participará de uma agenda essencialmente petista na capital francesa. É convidada de honra de um fórum de discussão sobre questões sociais promovido pelo Instituto Lula e pela Fundação Jean-Jaurés – um centro de discussões políticas ligado ao partido Socialista da França.

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