Marco Maia: Câmara pode não acatar decisão do STF
Presidente da Casa defende que decisão sobre a perda de mandato dos parlamentares cabe aos deputados. Líderes falam em crise entre poderes
O deputado Marco Maia
(PT), presidente da Câmara
O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), disse na tarde
desta segunda-feira em São Paulo que a Casa pode não cumprir uma decisão do
Supremo Tribunal Federal (STF) que determine a cassação dos parlamentares
condenados no julgamento do mensalão.
Na tarde desta segunda, a votação entre os
ministros do STF estava empatada em quatro a quatro. A questão só deve ser
decidida na quarta-feira. Falta apenas o voto do ministro Celso de Mello, que já
se mostrou favorável à perda dos mandatos. Em jogo estão os mandatos de João
Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar da Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry
(PP-MT).
“Se for tomada essa decisão, vamos encaminhar esse debate à mesa diretora
da Câmara e vamos ver qual medida deverá ser tomada. Espero e defendo que o
parlamento brasileiro não se curve a uma decisão dessa natureza”, disse Marco
Maia, em São Paulo. O presidente disse que, até o STF decidir a questão,
qualquer comentário é “especulação”.
Segundo o presidente, caso a decisão do STF não seja seguida, o processo de
cassação seguirá normalmente pela Câmara. “Isso não é desobedecer ao STF, é
obedecer à Constituição”, disse. “Um mandato de alguém que foi eleito pelo povo
só deve ser cassado por alguém que foi eleito pelo povo.”
Ainda segundo Maia o "conflito" com o STF "não está sendo gerado pela
Câmara dos Deputados”. “Há uma situação de produzir um desequilíbrio, de
afrontar o que prevê a Constituição. Não é legal, não é algo que fortalece a
democracia. Espero que essa moda não pegue”, disse Maia. “O ideal é que um poder
não se arvorasse de invadir o que é prerrogativa de outro. Nessa lógica, o
Legislativo ali adiante pode querer também entrar nas prerrogativas do
STF.”
Repercussão - Entre os deputados, impera a opinião de que
a cassação tem de ser decidida pela Câmara. Caso contrário, acredita a
vice-presidente da Casa - e candidata à presidência -, Rose de Freitas
(PMDB-ES), pode se instalar uma crise entre os poderes Judiciário e Legislativo.
"Quem cassa é o Congresso Nacional.”
Rose questiona ainda uma declaração do ministro relator Joaquim Barbosa,
que disse esperar que a Câmara não proteja os deputados condenados. "Nós nunca
dissemos 'espero que o tribunal faça isso ou aquilo'. Nós escrevemos as leis que
eles têm de seguir. Isso pode acabar em uma crise", disse.
O presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp, afirma que o partido
"respeitará as prerrogativas das Casas, tanto da Câmara quanto do Senado".
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