Rentabilidade de novas concessões pode decepcionar investidor
Técnicos que preparam os editais trabalham com taxas anuais de 5% para rodovias e 6,5% para ferrovias, mas baixo potencial de ganho é criticado
BRASÍLIA E SÃO PAULO - O governo vai calibrar os pedágios das rodovias e ferrovias incluídos no pacote de concessões de tal forma que os consórcios que vencerem os leilões tenham taxa de retorno de cerca de 5% ao ano, no caso das rodovias, e de 6,5%, nas ferrovias. Esses são os parâmetros usados pelos técnicos que formatam os editais de licitação e, segundo especialistas, podem frustrar investidores locais e estrangeiros, acostumados a taxas mais elevadas.
"Somos um País sem inflação, que tem crédito, sem problemas em balanço de pagamentos", listou um interlocutor da presidente Dilma Rousseff. Por isso, o governo quer pagar aos consórcios taxas de retorno menores.
O baixo potencial de ganho das concessionárias tem sido criticado nos bastidores, mas o governo não se impressiona. "Na hora do leilão, o que temos visto são deságios na casa dos 30%." Ou seja, as empresas reclamam, mas, na hora de disputar a concessão, acabam concordando com ganhos até mais baixos que os propostos no edital. Isso porque, segundo o interlocutor, os concessionários fazem estudos que preveem demanda maior que a estimada pelo governo.
A taxa de retorno das ferrovias, de 6,5%, ainda pode ser considerada atrativa para investidores, diz o economista-chefe da MCM Consultores Associados, Claudio Adilson. "O ideal é que o retorno do investimento fique entre 6% e 8% em termos reais. Senão, continuará sendo mais atrativo investir em papéis como NTN-B, que têm retorno real de 4% sem riscos."
Segundo o economista, se as taxas de retorno chegarem a, no máximo 6%, caso das rodovias, podem frustrar a expectativa no programa de concessões. "Há interesse aqui e lá fora, mas esse interesse não vinha se concretizando porque o governo tinha restrições para entregar projetos ao setor privado e, quando o fez, foi de modo envergonhado, com condições inviáveis."
Relatório de analistas do Credit Suisse afirma que, se as taxas de retorno ficarem entre 6% e 6,5%, é possível que os negócios não interessem às empresas de infraestrutura de capital aberto.
"Somos um País sem inflação, que tem crédito, sem problemas em balanço de pagamentos", listou um interlocutor da presidente Dilma Rousseff. Por isso, o governo quer pagar aos consórcios taxas de retorno menores.
O baixo potencial de ganho das concessionárias tem sido criticado nos bastidores, mas o governo não se impressiona. "Na hora do leilão, o que temos visto são deságios na casa dos 30%." Ou seja, as empresas reclamam, mas, na hora de disputar a concessão, acabam concordando com ganhos até mais baixos que os propostos no edital. Isso porque, segundo o interlocutor, os concessionários fazem estudos que preveem demanda maior que a estimada pelo governo.
A taxa de retorno das ferrovias, de 6,5%, ainda pode ser considerada atrativa para investidores, diz o economista-chefe da MCM Consultores Associados, Claudio Adilson. "O ideal é que o retorno do investimento fique entre 6% e 8% em termos reais. Senão, continuará sendo mais atrativo investir em papéis como NTN-B, que têm retorno real de 4% sem riscos."
Segundo o economista, se as taxas de retorno chegarem a, no máximo 6%, caso das rodovias, podem frustrar a expectativa no programa de concessões. "Há interesse aqui e lá fora, mas esse interesse não vinha se concretizando porque o governo tinha restrições para entregar projetos ao setor privado e, quando o fez, foi de modo envergonhado, com condições inviáveis."
Relatório de analistas do Credit Suisse afirma que, se as taxas de retorno ficarem entre 6% e 6,5%, é possível que os negócios não interessem às empresas de infraestrutura de capital aberto.
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