Governo recua e acena com retomada do diálogo com manifestantes
A nova postura acontece depois da escalada da violência e da revolta da população contra a agressão de um manifestante feita por seis policiais
O movimento de aproximação feito pelo Executivo da ex-colônia britânica acontece após o maior momento de tensão na cidade, que testemunhou enfrentamentos mais ríspidos entre os manifestantes e as forças de segurança. Na retirada das barricadas do centro da cidade, policiais efetuaram mais de 40 prisões. A população se revoltou contra a polícia e o governo depois da divulgação de imagens mostrando um manifestante rendido e algemado sendo espancado por seis agentes. Os policiais envolvidos na agressão foram afastados e o caso será investigado.
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Questionado sobre o episódio, o chefe do Executivo da ex-colônia britânica, alvo de pedidos de renúncia dos manifestantes, se recusou a falar sobre as acusações de brutalidade contra a polícia local. "Não deveríamos politizar este incidente", se limitou a comentar Leung, antes de afirmar que as autoridades abriram uma "investigação imparcial" sobre o ocorrido. O líder estudantil Joshua Wong lembrou aos manifestantes que tinha pedido que os protestos não fossem dirigidos contra os policiais, que só faziam o seu trabalho. “A partir de agora não vou dizer isso nunca mais”, afirmou.
Tumultos – Grupos pró-democracia e a polícia voltaram a se enfrentar na madrugada desta quinta-feira em Hong Kong. Cerca de 300 ativistas do 'Occupy Central' tomaram mais uma vez uma das ruas que dá acesso ao Parlamento local e aos escritórios do chefe de governo de Hong Kong, local onde nesta quarta foram registrados os confrontos mais violentos desde o início do protesto, em 28 de setembro.
As forças de segurança usaram gás de pimenta para dispersar a multidão que bloqueava a passagem em direção aos edifícios do governo. Outro jovem foi detido nesse segundo conflito. Indignados pela agressão mostrada no vídeo publicado ontem, quase 2.000 pessoas, segundo o movimento pró-democracia, se encontraram em uma praça do distrito de Admiralty. No bairro de Mong Kok, onde 200 pessoas se concentraram ontem em protesto contra a repressão policial, um grupo de manifestantes construiu barricadas de até dez metros de altura, mas retirou as barreiras por temer que isso resultasse em resposta dos policiais.
A ‘revolução dos guarda-chuvas’ exige principalmente mais liberdade para a escolha do próximo chefe do Executivo de Hong Kong nas eleições de 2017, algo que o governo central de Pequim, que mantém o controle sobre os candidatos locais, não aceita.
(Com agências Reuters e France-Presse)
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