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Dilma planeja pronunciamento em rede de rádio e TV; é um erro! Quem ficou muda até agora pode esperar um pouco mais

Ai, ai… Bateu o clima de barata-voa no Palácio do Planalto. Bateu o desespero. Por quê? Por causa da pesquisa Datafolha. Em dois meses, caíram de 42% para 23% os que avaliam seu governo como ótimo ou bom. E dispararam de 24% para 44% os que dizem ser ele “ruim ou péssimo”. É o pior da história. Nordestinos começam a abandonar o governo. O menor índice de “ótimo e bom” na região era 41%; agora 29%; o maior de “ruim e péssimo” era 21%; agora, 36%. Entre quem ganha até dois mínimos, o mais baixo “bom/ótimo” de Dilma era 38%; hoje, 27%; o mais alto “ruim/péssimo” era 23%; saltou para 36%. Na faixa de 2 a 5 mínimos, o descontentamento é explosivo: Dilma tem apenas 21% de “ótimo e bom” — o recorde negativo anterior era de 29%. A marca máxima do “ruim/péssimo” era 30%; pulou para 46%.
Pois bem. Diante disso, fazer o quê? Algum gênio palaciano sugeriu que a presidente faça um pronunciamento público em rede de rádio e TV depois do Carnaval. Aproveitaria para anunciar algumas medidas positivas. Também estaria organizando uma grande entrevista a um veículo de comunicação. Então tá. A emenda pode ficar pior do que o soneto. Dilma abusou da nossa paciência aparecendo duas vezes na TV para anunciar, por exemplo, o seu estupefaciente pacote energético, que quebrou o setor. Venceu as eleições com promessas que anunciavam o umbral do paraíso, e agora estamos vendo os juros e a inflação na estratosfera, o reajuste de tarifas, a recessão em curso. E fez tudo isso em silêncio, sem prestar contas.
Não parece uma boa ideia responder a uma pesquisa negativa com uma aparição tão rápida. Acho que se trata de uma reação um tanto primitiva. Ela precisa, isto sim, é pôr um pouco de ordem no governo e evitar operações desastradas como a que resultou na nomeação de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobras. Nada contra a sua competência no setor financeiro. Até o lance quase jocoso relativo ao empréstimo a Val Marchiori serviria menos ao escarnecimento se não pairasse a suspeita de que ele foi escolhido para maquiar o balanço. É o que se comenta em todo canto. Nesse caso, a sua competência conta contra ele, não a favor.
Notem: isso até pode ser mentira. Talvez assine o balanço mais honesto da história da Petrobras. O problema é que se entrou naquela lógica severa da honestidade da mulher de César: não basta ser, tem também de parecer.  Não é só isso. Ainda voltarei ao tema: Lula solapa o que resta de credibilidade a Dilma. Ao se lançar candidato para 2018, ele transforma a presidente numa pata manca.
Em suma: Dilma deveria esperar mais um pouco. Entre outras coisas, seria prudente que se conhecesse a lista de políticos enroscados na Operação Lava Jato. Só aí se terá uma dimensão mais clara da crise. Falar agora numa rede de rádio e TV soará como um misto de desespero e cinismo. Quem ficou muda até agora pode esperar um pouco mais.
Por Reinaldo Azevedo

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