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Dilma recusa credencial de embaixador da Indonésia para atuar no Brasil

Mesmo assim, o diplomata pode trabalhar no país. Não receber as credenciais, no entanto, não é algo comum e não há precedentes recentes no Itamaraty

O brasileiro Rodrigo Gularte escoltado por policiais e apresentado à imprensa no escritório da Alfândega, perto do principal aeroporto de Jacarta, na Indonésia. Rodrigo foi preso tentando tentando contrabandear cocaína escondida em pranchas de surf - 05/08/2004
O brasileiro Rodrigo Gularte escoltado por policiais na Indonésia (AP)
O governo brasileiro adiou, na última hora, o recebimento da documentação que credenciaria o embaixador da Indonésia, Toto Riyanto, à espera de uma solução para o caso de Rodrigo Gularte, condenado à morte no país. O embaixador seria o primeiro a entregar suas credenciais nesta sexta-feira, 20, no Palácio do Planalto e chegou a comparecer à cerimônia, quando foi avisado de que não seria recebido pela presidente. Pouco antes dos demais embaixadores descerem pela rampa do Planalto, Riyanto foi retirado pela entrada lateral.
Dilma havia planejado, inicialmente, falar sobre o caso do brasileiro, que espera uma transferência para um hospital psiquiátrico por ter sido diagnosticado com esquizofrenia. No entanto, tomou-se a decisão de dar um sinal mais forte. "Nós achamos importante que haja uma evolução na situação para que a gente tenha clareza sobre as relações da Indonésia com o Brasil. O que nos fizemos foi atrasar um pouco o recebimento das credenciais. Nada mais do que isso", afirmou a presidente ao final da cerimônia em que recebeu outros cinco embaixadores. Esse é o segundo gesto diplomático duro que o Brasil faz em relação à Indonésia. Há um mês, quando outro brasileiro preso no país, Marcos Archer Cardoso Moreira, foi fuzilado, o país retirou seu embaixador em Jacarta por cerca de dez dias. Não receber as credenciais, no entanto, não é algo comum e não há precedentes recentes no Itamaraty.
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O não recebimento das credenciais não altera o trabalho do embaixador, que pode representar seu país. No entanto, o simples atraso da cerimônia – como ocorreu com o Brasil no ano passado, em que a presidente ficou um ano e meio sem receber os embaixadores – já é suficiente para gerar desconfortos diplomáticos.
O Brasil tenta negociar a transferência de Gularte para um hospital psiquiátrico. A lei da Indonésia exige que os condenados tenham plena consciência do seu crime e da sua punição para serem executados. Com o diagnóstico de esquizofrenia, o brasileiro poderia ter a pena suspensa ou pelo menos adiada. Mas, apesar do laudo de um médico do serviço público de saúde, a promotoria da Indonésia ainda exige outra análise, de uma junta médica, antes de suspender a sentença. Hoje, um diplomata brasileiro irá entregar ao diretor do presídio um pedido para transferência de Gularte.
O governo brasileiro tem pressa porque os dois processos, de fuzilamento e de transferência, seguem paralelos. A execução do brasileiro e de outros estrangeiros condenados à morte ocorreria este mês, mas foi suspensa e ainda não tem nova data, o que deu mais tempo ao governo brasileiro. Se Gularte não conseguir a transferência, pode ser executado mesmo que o diagnóstico de doença mental esteja sendo ainda analisado.
(Com Estadão Conteúdo

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