Pular para o conteúdo principal

Cunha impõe nova derrota ao governo e dificulta projeto de Kassab de criar partido

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), agiu pessoalmente para acelerar projeto de lei que complica migração para novos partidos. Proposta ainda depende do aval do Senado para entrar em vigor

 
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) (/Folhapress)
Em uma nova ação que contraria os interesses do governo, a Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o projeto que atinge em cheio os planos do ministro Gilberto Kassab (Cidades) de criar um novo partido e formar uma das maiores bancadas da Casa, se apresentando como uma alternativa para o Palácio do Planalto ao rebelde PMDB. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), agiu pessoalmente para que o texto contra os planos de Kassab fosse aprovado em menos de um mês de tramitação. A proposta ainda depende do aval do Senado para entrar em vigor.
O projeto, apresentado pelo oposicionista DEM, altera lei de 1995 que traz regras para a formação de partidos políticos. Pela legislação atual, não há nenhum tipo de restrição para criação, fusão ou incorporação de novas legendas. Kassab tenta aproveitar essa facilidade para refundar o Partido Liberal (PL) e aglutiná-lo ao PSD, formando a maior bancada do Congresso.
Mas o DEM criou uma proposta que estabelece um período mínimo de cinco anos para a fusão de partidos. O texto foi apresentado neste mês e ganhou regime de urgência após uma costura de Cunha – que tem total interesse em impedir a criação de um partido que possa enfraquecer o PMDB. A manobra permitiu a ausência da tramitação em comissões.
Líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ) também atuou contra o projeto de Kassab: “Nós vemos a intenção anunciada da criação de partidos políticos cuja única finalidade é obter uma fusão com outros partidos e permitir a saída de parlamentares para outra sigla partidária, burlando, assim, a vontade do eleitor e a legislação do país. Nós não podemos compactuar com isso nem deixar brechas para que a lei seja descumprida. Se existe uma norma no país que define a fidelidade partidária, se essa norma é saudada como uma norma positiva e saudável pela sociedade brasileira, nós não podemos permitir as brechas que ocasionam a sua violação”, discursou.
Em votação no plenário, a proposta incorporou regras ainda mais duras e passou a atingir também o processo de criação de partidos. Um substitutivo apresentado pelo deputado Sandro Alex (PPS-PR) e aprovado pelos deputados estabelece que somente eleitores não-filiados a partidos políticos podem assinar requerimentos de criação de legendas. Atualmente, é necessária a coleta de meio por cento dos votos dados na última eleição geral para a Câmara – cerca de 500.000 assinaturas.
Em uma manobra para diminuir o prazo de cinco anos, o PROS tentou que a quarentena para a fusão partidária fosse de um ano – mas a proposta foi recusada. “A criação de novos partidos não pode ser usada para abrigar de forma temporária alguns parlamentares. A proposta traz um tempo para que os partidos possam escrever a sua história”, disse Sandro Alex.
Ao longo do dia, representantes da liderança do PSD dispararam telefonemas a aliados pedindo o esvaziamento da sessão. O texto foi aprovado sob protesto do PSD e do PT – que, sem acordo interno, acabou liberando o bloco para votar conforme entendimento de cada partido

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lula se frustra com mobilização em seu apoio após os primeiros dias na cadeia O ex-presidente acreditou que faria do local de sua prisão um espaço de resistência política Compartilhar Assine já! SEM JOGO DUPLO Um Lula 3 teria problemas com a direita e com a esquerda (Foto: Nelson Almeida/Afp) O ex-presidente  Lula  pode não estar deprimido, mas está frustrado. Em vários momentos, antes da prisão, ele disse a interlocutores que faria de seu confinamento um espaço de resistência política. Imaginou romarias de políticos nacionais e internacionais, ex-presidentes e ex-primeiros-ministros, representantes de entidades de Direitos Humanos e representantes de movimentos sociais. Agora, sua esperança é ser transferido para São Paulo, onde estão a maioria de seus filhos e as sedes de entidades como a CUT e o MTST.
Atuação que não deixam dúvidas por que deveremos votar em Felix Mendonça para Deputado Federal. NÚMERO  1234 . Félix Mendonça Júnior Félix Mendonça: Governo Ciro terá como foco o desenvolvimento e combate às desigualdades sociais O deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) vê com otimismo a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. A tendência, segundo ele, é de crescimento do ex-governador do Ceará. “Ciro é o nome mais preparado e, com certeza, a melhor opção entre todos os pré- candidatos. Com a campanha nas Leia mais Movimentos apoiam reivindicação de vaga na chapa de Rui Costa para o PDT na Bahia Neste final de semana, o cenário político baiano ganhou novos contornos após a declaração do presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, que reivindicou uma vaga para o partido na chapada majoritária do governador Rui Costa (PT) na eleição de 2018. Apesar de o parlamentar não ter citado Leia mais Câmara aprova, com...
Estudo ‘sem desqualificar religião’ é melhor caminho para combate à intolerância Hédio Silva defende cultura afro no STF / Foto: Jade Coelho / Bahia Notícias Uma atuação preventiva e não repressiva, através da informação e educação, é a chave para o combate ao racismo e intolerância religiosa, que só em 2019 já contabiliza 13 registros na Bahia. Essa é a avaliação do advogado das Culturas Afro-Brasileiras no Supremo Tribunal Federal (STF), Hédio Silva, e da promotora de Justiça e coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Proteção dos Direitos Humanos e Combate à Discriminação (Gedhdis) do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Lívia Vaz. Para Hédio o ódio religioso tem início com a desinformação e passa por um itinerário até chegar a violência, e o poder público tem muitas maneiras de contribuir no combate à intolerância religiosa. "Estímulos [para a violência] são criados socialmente. Da mesma forma que você cria esses estímulos você pode estim...