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Irã e seis potências mundiais fecham acordo sobre programa nuclear

O acordo prevê que o governo iraniano limite a 5% sua capacidade de enriquecer urânio em troca de alívio nas sanções internacionais

Ministros posam para foto após anuncio de acordo
(AFP)
Depois de mais de quatro dias de duras negociações, o Irã e seis potências mundiais chegaram a um acordo na manhã deste domingo para frear o programa nuclear de Teerã em troca de um alívio nas sanções sofridas pelo país. Este pode ser o primeiro sinal de uma reaproximação com o Ocidente.
O acordo congela a capacidade do Irã para enriquecer urânio no nível máximo de 5%, que está bem abaixo do limite necessário para produção de armas nucleares. A decisão visa minimizar as preocupações de que, um dia, Teerã possa fabricar sua própria bomba atômica. Segundo comunicado da Casa Branca, o Irã também concordou em aumentar a transparência e o monitoramento externo de seu programa nuclear.
O acordo entre o Irã e Estados Unidos, França, Alemanha, Grã-Bretanha, China e Rússia foi fechado depois de mais de quatro dias de negociações duras na cidade suíça de Genebra. A oportunidade para essa negociação se abriu no encontro anual da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, durante o qual o presidente norte-americano, Barack Obama, teve uma conversa de 15 minutos por telefone com presidente iraniano, Hassan Rohani, eleito em junho.
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Senado americano quer pressionar Irã com novas sanções
Obama saudou o pacto deste domingo como essencial para impedir o Irã de se tornar uma ameaça nuclear. "Simplificando, eles cortaram os caminhos mais prováveis do Irã para uma bomba", disse a repórteres em Washington. Ele afirmou, ainda, que se Teerã descumprir qualquer termo do acordo, "o alívio será suspenso e o país será pressionado". O principal aliado dos Estados Unidos no Oriente expressou ceticismo e preocupação. Israel tem consistentemente alertado o Ocidente sobre o perigo de qualquer acordo com o Irã.

As sanções da ONU contra o Irã

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Dezembro de 2006 - Resolução 1737

Proíbe o Irã de comercializar com qualquer país equipamentos, materiais e know-how tecnológico que possam contribuir com o programa nuclear;
Congela ativos financeiros internacionais de empresas, entidades e pessoas ligadas ao programa nuclear;

Estabelece um novo comitê de sanções para monitorar o cumprimento das resoluções.
"É um erro histórico", disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. "O mundo se tornou um lugar mais perigoso porque o regime mais perigoso do mundo deu um passo significativo na direção de desenvolver a arma mais perigosa do mundo." Segundo a Casa Branca, o presidente Obama vai conversar com o primeiro-ministro israelense ainda neste domingo.
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Em referência à posição de Israel, o ministro britânico de Relações Exteriores, William Hague, considerou neste domingo que o acordo com o Irã deixa "preocupações legítimas". Em declaração à rádio da BBC, Hague admitiu que o pacto foi um "erro histórico", mas amenizou dizendo que é um primeiro passo. "Israel tem preocupações legítimas sobre o programa nuclear do Irã e não é surpreendente que o povo seja cético sobre qualquer acordo", disse.
Ele lembra ainda que o Irã tem um histórico de não revelar a verdade sobre seu programa nuclear ao resto do mundo. Segundo o chefe da diplomacia britânica, agora é preciso buscar uma solução "completa" pela qual o Irã poderia ter acesso à energia nuclear com fins pacíficos, o que incluiria "um processo de enriquecimento definido e limitado a necessidades básicas".
Repercussões - A chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, que coordenou as negociações com o Irã em nome das grandes potências, disse que o acordo abriu espaço para se alcançar uma solução abrangente para o tema. "Este é apenas o primeiro passo", afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, em entrevista coletiva. "Precisamos nos mover para restaurar a confiança entre nossas nações." A Arábia Saudita ainda não se manifestou sobre o assunto e o governo sírio disse apenas que é um importante acordo.
(Com Reuters e Associetad Press)

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