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Após pressão de Barbosa, juiz de execuções do mensalão é substituído

Presidente do Supremo, Joaquim Barbosa estava insatisfeito com a conduta do titular da Vara de Execuções Penais, que concedeu regalias aos mensaleiros

 
Os senadores, Eduardo Suplicy, Humberto Costa e Wellington Dias, visitam os condenados no processo do mensalão que estão cumprindo pena em regime semiaberto no Complexo da Papuda, em Brasília
Os senadores, Eduardo Suplicy, Humberto Costa e Wellington Dias, visitam os condenados no processo do mensalão que estão cumprindo pena em regime semiaberto no Complexo da Papuda, em Brasília
Após pressão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, a execução das penas do processo do mensalão mudou de mãos. O juiz titular da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Ademar de Vasconcelos, foi trocado pelo juiz substituto Bruno André Silva Ribeiro no comando da execução das penas.
O presidente do STF atribuiu ao juiz do DF a responsabilidade pela demora na concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente do PT José Genoino. De acordo com a assessoria do STF, Vasconcelos teria dito que o estado de saúde do ex-deputado era bom. Horas depois, Genoino sentiu-se mal e foi transferido para o hospital.
A presidência do STF reclamou também de Genoino ter dado entrevista de dentro do presídio. Um dos assessores de Barbosa chegou a dizer, ironicamente, que em breve Vasconcelos permitiria uma entrevista coletiva dentro do presídio da Papuda, onde os mensaleiros cumprem pena.
Uma das primeiras decisões de Bruno Ribeiro foi estabelecer regras para que Genoino pudesse cumprir prisão domiciliar a partir deste domingo após deixar o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal, onde foi submetido a perícia médica. Genoino permanecerá em prisão domiciliar até que Joaquim Barbosa analise o resultado da perícia sobre o estado de saúde do petista. Uma junta médica examinou no sábado o ex-presidente do PT, mas não divulgou suas conclusões. Genoino teve alta na manhã deste domingo.
Ao site de VEJA, o ministro do Supremo Marco Aurélio Mello disse ter ficado surpreso com a substituição de Vasconcelos. “Não passaria pela minha cabeça a hipótese de substituição. É uma decisão impactante ante o fato de o juiz ter atuado desde o início do processo”, afirmou. “Mas nem sempre aquele que personifica o estado julgador agrada as pessoas”, completou.
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De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, na semana passada, a cúpula do Tribunal de Justiça do Distrito Federal se reuniu com integrantes do STF para falar sobre a conduta de Vasconcelos e analisar a possibilidade de trocá-lo. A irritação de Barbosa com o juiz começou quando o STF expediu os mandados de prisão dos mensaleiros. Na ocasião, Vasconcelos deu uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo na qual afirmou que "as penas são inócuas" porque os mensaleiros "já foram punidos publicamente".
Bruno Ribeiro é considerado pelo STF como "mais sério" e mais rígido. No passado, por exemplo, Ribeiro negou pedidos de entrevista do contraventor Carlos Cachoeira quando este esteve preso. Barbosa mantém relação mais afinada com Ribeiro. Quando o presidente do STF expediu os mandados de prisão dos condenados do mensalão, ele telefonou para Ribeiro para avisá-lo. Oficialmente, ele estava de férias, mas retornou ao trabalho após o chamado do ministro. O titular estranhou a participação do colega no processo e ouviu dele a explicação de que foi acionado por Barbosa.

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