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Entenda o impasse político na Grécia e o temor do mercado financeiro

Os mercados financeiros mundiais voltaram os olhares para a Europa e, de forma especial, para a Grécia. Aumentou o temor de que os gregos não cumpram o que prometeram em troca do socorro financeiro internacional, sendo obrigados a convocar novas eleições em junho, declarar moratória e até mesmo sair da zona do euro.
A Grécia vive uma grave crise política há uma semana, desde que uma eleição inconclusiva deixou o Parlamento dividido. Nenhum dos lados tem assentos suficientes para formar um governo e já houve três tentativas fracassadas de formar um governo de coalizão. Por isso, o país deve enfrentar novas eleições em junho.
O principal ponto de desacordo entre os partidos é o plano de austeridade, em troca de um pacote de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), para evitar o calote da dívida pública grega.
Autoridades alertaram que a Grécia pode ficar sem dinheiro já no final de junho se não chegar a um acordo para formar um governo que negocie a ajuda com seus credores.
Líderes europeus alegam que suspender os termos do acordo significaria o fim do pagamento das parcelas de ajuda à Grécia, que permitiram até agora ao país escapar da falência. Atenas também seria excluída do euro.
Os gregos foram às urnas no dia 6 de maio para eleger novos membros do Poder Legislativo. A maioria da população estava insatisfeita com o governo interino do primeiro-ministro Lucas Papademos, que adotou as medidas de austeridade para receber o resgate financeiro internacional.
Essas foram as primeiras eleições legislativas desde a explosão da crise da dívida, em 2009, que arrastou o país para sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial.

Mais uma tentativa de negociação

O presidente Karolos Papoulias tem que convocar novas eleições se não conseguir convencer os líderes partidários a formarem uma coalizão. Após um dia de negociações em vão no domingo, ele convidou políticos dos três maiores partidos para voltarem à residência presidencial às 13h30 (horário de Brasília), junto com um pequeno grupo de esquerda.
Participarão da reunião Antonis Samaras, do partido conservador Nova Democracia; o social-democrata Evangelos Venizelos, do Pasok; Fotis Kouvelis, do Dimar; e o líder do esquerdista Syriza, Alexis Tsipras.
Os três primeiros partidos se mostraram dispostos a formar uma aliança de governo que mantenha o país na eurozona e renegocie os compromissos de austeridade com a União Europeia.
As três formações exigiram que o Syriza, segundo partido mais votado nas eleições de domingo passado, participasse da coalizão, e ao longo do dia redobraram a pressão contra Tsipras, acusado de irresponsável por não querer fazer parte do gabinete de união.

Esquerda radical resiste a formar coalizão

Mas um membro importante do segundo maior partida, o radical de esquerda Syriza, disse que seu líder Alexis Tsipras, de 37 anos, não vai comparecer.
Os eleitores contra o pacote de ajuda dividiram seus votos em pequenos partidos na votação deste mês, mas agora estão unidos em apoio a Tsipras. Pesquisas mostraram que ele agora ficaria em primeiro lugar numa nova eleição, o que lhe daria um prêmio de 50 assentos extras no Parlamentos de 300 lugares.
Tsipras se recusa a fazer parte de uma governo de coalizão com os conservadores ou os socialistas que governaram a Grécia nas últimas décadas, mas que foram punidos pelos eleitores insatisfeitos com o pacote de resgate da UE, que exigiu cortes duros nos salários e aposentadorias e aumento de impostos.
Tsipras diz que deseja manter a Grécia na zona do euro, mas que os termos do acordo devem ser cancelados. Essa posição é dividida pela maiorias dos gregos, mas considerada inaceitável por muitos em Bruxelas.

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