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Em Brasília, Cristina banca a vítima e critica 'pilhagem internacional' contra a Argentina

Presidente falou a integrantes da juventude do PCdoB, na porta de hotel. Ela participa de encontro dos Brics com presidentes da América do Sul

 
A presidente argentina, Cristina Kirchner e o presidente do Uruguai, José Mujica em evento do BRICS em Brasília
A presidente argentina, Cristina Kirchner e o presidente do Uruguai, José Mujica, em Brasília (Reuters)
Em viagem ao Brasil para participar de um encontro dos líderes dos Brics com chefes de Estado sul-americanos, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, afirmou que é preciso pôr fim à "pilhagem internacional" que, segundo ela, atinge seu país. Ela fez referência aos fundos abutres que ganharam ação na Suprema Corte dos Estados Unidos e devem receber do governo o pagamento integral de títulos da dívida argentina comprados no período em que o país deu o calote, no início da década de 2000. O governo Kirchner ameaça não pagar porque considera injusto o valor dos papéis. Caso a dívida não seja honrada até o próximo dia 30, a Argentina entrará em default técnico e poderá ter seus ativos no exterior confiscados.

O que são fundos abutres?

Fundo abutre é um jargão do mercado financeiro usado para classificar fundos de hedge que investem em papéis de países que deram calote — atuam, em especial, na América Latina e na África. Sua atuação é perfeitamente legítima. O termo abutre foi criado para diferenciá-los dos fundos convencionais, justamente por trabalharem como "agiotas" de países caloteiros, emprestando dinheiro em troca de "títulos podres". São considerados pelo mercado uma espécie de "investidor de segunda linha". Sua atuação consiste em comprar títulos da dívida de nações em default por valor irrisório para depois acionar o país na justiça e tentar receber ganhos integrais. Os "abutres" compraram os papéis da dívida argentina por 48,7 milhões de dólares em 2001 e querem receber, hoje, cerca de 1 bilhão de dólares. A Argentina, por sua vez, tenta escapar do pagamento. O país teme que, caso aceite pagar os "abutres" integralmente, os 92% de credores que aceitaram a renegociação da dívida em 2005 e 2010 possam buscar na Justiça o direito de receber ganhos integrais. Neste caso, o pagamento poderia reduzir as reservas internacionais do país a praticamente zero. Outro agravante é que, devido ao histórico de calotes e decisões econômicas escandalosas do país, sua credibilidade para negociar com credores está fortemente abalada.
Cristina discursou a integrantes da União da Juventude Socialista (UJS), grupo vinculado ao PCdoB que perseguiu a blogueira cubana Yoani Sánchez quando ela esteve no Brasil. A fala se deu de forma improvisada, na porta do hotel onde a presidente estava hospedada. "Não esperava um recebimento tão caloroso dos jovens do Brasil. Quero agradecer-lhes, porque sei que não é que estejam com a Cristina, mas sim com as políticas que levamos adiante na Argentina", disse ela.
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O governo Kirchner afirmou que está disposto pagar seus credores, mas apenas aqueles que aceitaram a reestruturação de sua dívida nos anos de 2005 e 2010. Os fundos abutres não aceitaram a renegociação e ganharam na Justiça o direito de receber o valor cheio dos títulos. Ocorre que, segundo a decisão da Corte, o país não conseguirá pagar os credores que aceitaram a reestruturação se também não fizer o pagamento aos fundos abutres. Cristina criticou a decisão e colocou a Argentina como vítima: "Cremos em uma pátria grande e que se deve terminar essa espécie de pilhagem internacional em matéria financeira que hoje estão querendo fazer contra a Argentina, mas que vão tentar levar adiante contra outros países", disse ela. Os "abutres" compraram os papéis da dívida argentina por 48,7 milhões de dólares em 2001 e querem receber, hoje, cerca de 1 bilhão de dólares.
Ao celebrar o fortalecimento dos laços dos Brics com os países da América do Sul, a presidente da Argentina também criticou os organismos multilaterais existentes. "Vão surgindo cada vez mais instituições que questionam este funcionamento dos organismos multilaterais que, em vez de dar soluções, não fazem nada além de complicar a vida dos povos", afirmou. O encontro dos Brics com presidentes sul-americanos reúne dezesseis chefes de Estado em Brasília nesta quarta-feira.

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