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Brics limitam-se a defender ‘diálogo’ para crise na Ucrânia

Enquanto G8 isola Moscou, Putin encontra respaldo em cúpula de emergentes

A presidente Dilma Rousseff posa para foto com os chefes de Estado dos países que compõem os Brics: os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; o presidente da China, Xi Jinping; além do presidente da África do Sul, Jacob Zuma
A presidente Dilma Rousseff posa para foto com os chefes de Estado dos países que compõem os Brics: os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; o presidente da China, Xi Jinping; além do presidente da África do Sul, Jacob Zuma (AP)
A declaração conjunta dos líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul reunidos em Fortaleza nesta terça-feira dedica poucas linhas à crise na Ucrânia. O documento limita-se a ressaltar a “preocupação” com a situação no país, defender a “moderação de todos os atores envolvidos” e o diálogo na busca por uma “solução política pacífica em plena conformidade com a Carta das Nações Unidas e com direitos humanos e liberdades fundamentais universalmente reconhecidos”.
Não há nenhuma crítica às ações da Rússia, que anexou a Crimeia e enviou paramilitares para o leste do território vizinho. Com isso, o encontro dos Brics mostra apoio a Vladimir Putin, enquanto os Estados Unidos e a União Europeia tentam isolá-lo como forma de sanção. A cúpula é o primeiro encontro internacional do qual Putin participa desde a exclusão da Rússia do G8 em razão da crise ucraniana.
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Em conversa com jornalistas, o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que os Brics são contra medidas econômicas e políticas unilaterais por parte de países terceiros, reforçando a posição do bloco contra as sanções do Ocidente aplicadas a Moscou. "A cúpula confirmou que, ao se declararem contra medidas unilaterais na economia e política mundial, os membros dos Brics não estão buscando confronto, mas sim, se oferecendo para analisar abordagens coletivas para resolver todas as questões (globais)".
As ações punitivas impostas pelos Estados Unidos em resposta à anexação da península ucraniana incluem o congelamento de bens e a proibição de conceder vistos a autoridades e empresários próximos de Putin. A UE decidiu pela aplicação de restrições semelhantes e pode ampliar a lista de ações nesta semana, diante da pressão americana por punições mais duras contra o Kremlin.
Ontem, o presidente russo disse que os Brics deveriam concordar com medidas para impedir “ataques” por meio de sanções. “A Rússia recentemente foi exposta a um ataque de sanções pelos Estados Unidos e seus aliados”, disse Putin, em entrevista à agência de notícias Itar-Tass. “Deveríamos pensar juntos em um sistema de medidas que ajudaria a evitar perseguições de países que não concordam com algumas decisões de política externa tomadas pelos EUA e seus aliados”.
As sanções aplicadas até agora foram ignoradas pelo Kremlin, enquanto os combates se intensificam no leste da Ucrânia. Tropas ucranianas tentam fechar o cerco em torno de Lugansk e Donetsk, principais cidades tomadas por separatistas pró-Moscou e autodeclaradas ‘repúblicas independentes’. (Continue lendo o texto)
No domingo, antes da final da Copa do Mundo, Putin e a chanceler Angela Merkel tiveram uma reunião no Rio de Janeiro e trataram da crise na Ucrânia. Ambos destacaram a necessidade do início imediato das conversas em busca de uma saída negociada para o conflito. Um grupo com representantes ucranianos, russos e da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) está encarregado da questão.
Ontem, a presidente Dilma Rousseff recebeu Putin em Brasília, mas não houve nenhuma menção à crise na Ucrânia depois da reunião. Hoje, falando genericamente sobre o conflito entre Israel e o Hamas e as crises na Ucrânia, no Iraque e na Síria, Dilma afirmou que os Brics “lamentam a falta de avanço concreto na maior parte dessas situações”. "Concordamos que, em todos esses casos, as soluções de longo prazo devem passar pelo caminho do diálogo, o que depende de todas as partes envolvidas", acrescentou.
Direitos humanos – Se as ações russas na Ucrânia trazem preocupação para as potências ocidentais, a ONG Human Rights Watch afirma que o Brasil deveria se manifestar também em apoio aos direitos humanos e à sociedade civil na Rússia. "O que se espera durante a sexta cúpula dos Brics é que a presidente Dilma Rousseff não ignore a repressão na Rússia, que viola direitos humanos fundamentais, adotados pelo Brasil domesticamente e no âmbito das obrigações assumidas em tratados internacionais”, ressaltou Maria Laura Canineu, diretora da organização no Brasil.
A HRW lembrou que a criação do Banco dos Brics é o item principal da cúpula e defendeu que a nova instituição deve viabilizar a realização de direitos sociais e econômicos e respeitar os direitos humanos daqueles que pretende beneficiar.
(Com agências Reuters, France-Presse e EFE)

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