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Por que o PT não prestou solidariedade a Delcídio

Arquivo - O líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS) e a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, em Brasília (DF)
Arquivo - O líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS) e a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, em Brasília (DF)(PR)
Quando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), chamou de "covarde" a nota assinada pela direção do Partido dos Trabalhadores que rifa o primeiro senador preso com mandato, Delcídio do Amaral (PT-MS), engana-se quem pensa que se tratava de um mero gesto de corporativismo e amizade. Renan, um dos mais hábeis moradores do Salão Azul da República, sabe como ninguém que Delcídio nunca foi bem visto por uma ala do PT - apesar dos muitos préstimos recentes. Não era raro ser chamado de "tucano do PT" ou (pelos mais maldosos) de "tucano infiltrado no PT" em reuniões da sigla. Correntes petistas nunca aceitaram sua atuação na CPI dos Correios, que investigou o mensalão, e outros já torciam o nariz antes dela, dada sua filiação pregressa ao PSDB. A frase mais repetida hoje enquanto o plenário decidia mantê-lo na cadeia foi: "O PT nunca gostou dele". Tão logo o áudio da conversa criminosa envolvendo Delcídio foi divulgado (em primeira mão pelo Radar On-line), o presidente do PT e lulista de carteirinha, Rui Falcão, não pensou duas vezes em escrever que o partido não prestaria solidariedade ao colega -- embora o PT nunca tenha demonstrado vergonha em defender corruptos como Delúbio Soares, José Dirceu e João Vaccari. Foi também um recado do PT lulista ao Palácio do Planalto: Delcídio era líder de Dilma Rousseff. O problema é dela. (Silvio Navarro, de São Paulo)

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