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Lobista volta a falar em propina para Renan e Cunha

Fernando Baiano admitiu ter repassado propina desviada da refinaria de Pasadena, no Texas, e de contratos de navios-sonda

Fernando Soares, o Fernando Baiano, durante a CPI da Petrobras na sede Justiça Federal Curitiba (PR) - 11/05/2015
Fernando Soares, o Fernando Baiano, durante a CPI da Petrobras na sede Justiça Federal Curitiba .
Apontado pelo Ministério Público como o operador do PMDB no escândalo do petrolão, o lobista Fernando 'Baiano' Soares negou, em acareação com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, ter atuado como arrecadador de propina em nome do partido, mas voltou a admitir que atuou em "repasses pontuais" aos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A Polícia Federal pediu que Baiano e Costa ficassem frente a frente para esclarecer pontos sobre o propinoduto instalado na Petrobras. Ambos são delatores da Operação Lava Jato.
Baiano diz que, embora não atuasse como operador do PMDB, repassou propina a integrantes do partido relativa à compra da refinaria de Pasadena, no Texas, e de contratos de sondas. "[Baiano] realizou apenas alguns repasses pontuais envolvendo o PMDB, dentre eles o relacionado a Eduardo Cunha e a Renan Calheiros, quanto a este sempre por meio de Jorge Luz", diz trecho da acareação. Luz é uma espécie de lobista histórico da Petrobras.
Em acordo de delação premiada, conforme revelou VEJA, Baiano contou que o esquema de corrupção na área internacional da Petrobras começou em 2006, no governo Lula, e envolveu os senadores Renan Calheiros (PMDB), Delcídio Amaral (PT), Jader Barbalho (PMDB) e o ex-ministro Silas Rondeau, que, após o mensalão, substituiu Dilma Rousseff na pasta de Minas e Energia. Todos negam as acusações.
Na acareação, Paulo Roberto Costa disse que os repasses ao PMDB eram feitos de forma pontual, e "não de forma sistemática, como em relação ao PP", e afirmou não saber de repasses a Eduardo Cunha.
Costa e Baiano divergiram, porém, sobre a relação do lobista com o senador Renan Calheiros. Enquanto Baiano disse que "jamais teve contato pessoal" com o peemedebista e que a propina foi tratada com Jorge Luz como intermediário, o ex-diretor da Petrobras declarou que o lobista admitiu a ele que se encontrou com Renan "em algumas oportunidades".

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