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PT e PMDB barram convocação de Palocci em CPI

Tropa de choque do governo também impediu a convocação de Alexandrino Alencar, ex-executivo da Odebrecht em sessão da CPI do BNDES

Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa
Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff.
Em mais uma demonstração de como o governo atua nas CPIs no Congresso, a comissão que investiga irregularidades nos contratos firmados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltou a barrar convocações que podem complicar a gestão petista. Durante sessão nesta quinta-feira, PT e PMDB impediram a aprovação de uma série de requerimentos, entre eles os que pediam audiência com o ex-ministro Antônio Palocci e o lobista Alexandrino Alencar, ex-executivo da Odebrecht e companheiro do ex-presidente Lula durante viagens.
Em pauta, estavam dois requerimentos que pediam a convocação de Palocci, ambos apresentados por deputados da oposição. Os parlamentares queriam que Palocci desse explicações sobre o fato de ser uma das 103 pessoas suspeitas de realizarem transações bancárias com indícios de irregularidades. Conforme dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), as operações fraudulentas chegam a 500 milhões de reais.
Os dois requerimentos que pediam audiência com o ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar também foram alvo de obstrução de aliados do governo. Alencar foi preso durante a Operação Lava Jato após a Polícia Federal interceptar gravações em que o executivo conversava com o ex-presidente Lula. Na conversa, segundo o relatório policial, Lula e Alexandrino estariam preocupados com "assuntos do BNDES". O executivo foi apontado por delatores do petrolão como um dos operadores de propina na Odebrecht.
A tropa de choque governista ainda barrou a audiência com o procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) Marinus Marsico, que pediu a suspensão de novos financiamentos do BNDES para obras realizadas por empreiteiras brasileiras no exterior.
"A CPI tem um acordo entre os partidos da base do governo de não aprovar nada, absolutamente nada. O Palocci foi mais um, mas eles chegaram ao ponto de rejeitar convite de um técnico do TCU, que tem por função constitucional auxiliar a Câmara", criticou o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), autor dos requerimentos que pediam audiência com Palocci e Marsico. "Estão impedindo a simples possibilidade de convidar um cidadão para estar presente. Se continuar desse jeito, não há sentido para a continuidade da CPI. Nós vamos acabar reproduzindo o fiasco que foi a CPI da Petrobras", continuou o parlamentar.
Nesta quinta, também foi rejeitado o acesso ao acordo de delação premiada firmado pelo executivo da Camargo Corrêa Luiz Carlos Martins, que citou o pagamento de propina ao PMDB. A comissão ia votar a esperada convocação de José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, mas a análise do requerimento foi impedida pelo início das votações no plenário da Câmara.

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