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Datafolha: as razões do favoritismo de Dilma em 2014


Pesquisa aponta que a presidente tem 58% das intenções de voto. Marina Silva marca 16%, o tucano Aécio Neves, 10%, e Eduardo Campos, 6%


 

A presidente Dilma Rousseff
 

A presidente Dilma Rousseff teve algumas más notícias na economia nas últimas semanas. O PIB cresceu apenas 0,9%, a inflação chegou perto do topo da meta, a gasolina aumentou e os portos não conseguiram escoar a safra recorde de grãos. Esses dados deram esperanças à oposição de que a popularidade da presidente seria afetada, o que ameaçaria sua reeleição. A pesquisa do Datafolha divulgada nesta sexta-feira, porém, mostrou que a análise dos oposicionistas estava errada. Pelo menos por enquanto, ela é franca favorita a ficar mais quatro anos no Palácio do Planalto. No cenário mais provável, Dilma tem 58% das intenções de voto, o que lhe daria uma tranquila vitória já no primeiro turno. Atrás dela, aparecem a ex-senadora Marina Silva (que ainda tenta viabilizar um partido para disputar as eleições), com 16%, o senador Aécio Neves (PSDB), com 10%, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com 6%.

Os dados adversos na macroeconomia não são sentidos pela maior parte da população, principalmente a nova classe média, que concentra o grosso do eleitorado. Para essa camada, que sustenta a popularidade de Dilma, é mais importante a redução dos preços dos produtos da cesta básica, a diminuição da tarifa de luz, a presença da presidente junto aos parentes das vítimas da tragédia de Santa Maria ou sua imagem na televisão ao lado papa Francisco. “Os eleitores mais pobres que chegaram à classe média ainda conseguem pagar a prestação do carro, o plano de saúde e a mensalidade da escola particular do filho”, analisa um economista ligado ao PSDB. “Nesse cenário, é muito difícil derrotar a Dilma.”

Além da força de Dilma, o PSDB de Aécio também se preocupa com o crescimento de Eduardo Campos. O governador de Pernambuco, praticamente desconhecido fora de seu estado até o início do ano, resolveu testar a viabilidade de sua candidatura. Nas últimas três semanas, ele passou mais tempo em São Paulo, Rio e Brasília do que em Recife. Conseguiu, com essa primeira investida, chegar a 6% das intenções de voto –no limite da margem de erro, está em situação de empate técnico com os 10% de Aécio. Não foi apenas intenção de voto que Campos tirou do tucano, mas também discurso. Com sua pregação de que “é possível fazer mais” e suas críticas ao inchaço e à lentidão do governo federal, o governador de Pernambuco é quem mais tem aparecido como contraponto a Dilma, embora ainda seja da base do governo. Aécio ainda não conseguiu achar seu espaço e o conteúdo de seus discursos, embora ensaie sua candidatura desde o início de 2011, quando trocou o governo de Minas Gerais pelo Senado.

Faltam aos rivais de Dilma, além de intenção de voto, força partidária e presença nacional. Marina Silva deve a boa lembrança de seu nome ao recall da eleição anterior, quando teve 20% dos votos para presidente concorrendo pelo Partido Verde. É difícil imaginar que ela repita essa performance, já que nem há a certeza de que a Rede será armada a tempo de disputar a eleição. Aécio Neves é pouco conhecido fora de Minas e ainda enfrenta a divisão de seu partido –a ala paulista, comandada pelo governador Geraldo Alckmin e por José Serra ainda não se entusiasmou com sua candidatura. Eduardo Campos comanda o PSB, partido com força no Nordeste, mas praticamente inexistente nos três principais colégios eleitorais: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Nos dezenove meses até a eleição, o cenário ainda pode mudar muito. Em março de 2009, por exemplo, Dilma Rousseff patinava com menos de 10% enquanto o tucano José Serra liderava em todas as simulações. Mas a liderança tão folgada da presidente é um trunfo significativo para atrair os financiadores de campanha e os partidos aliados, que lhe garantirão o maior tempo de TV.

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