Governo federal bloqueia contas do RS para garantir pagamento da dívida
Em crise financeira, governo gaúcho optou por pagar salários atrasados de servidores a saldar parcela mensal de dívida com a União
Ele explicou que o Banco do Brasil, que é o agente financeiro responsável por exercitar a cobrança da dívida dos Estados com a União, remeteu um ofício no fim da tarde ao Banrisul notificando a medida, com base na cláusula 15ª da Lei 9.496, de 1997, que versa sobre o contrato de refinanciamento com a União. A determinação é para que o Banrisul bloqueie os recursos disponíveis no caixa estadual diariamente e os transfira a uma conta específica do Banco do Brasil até atingir o montante devido, de quase 265 milhões de reais - o volume a ser pago varia mês a mês porque corresponde a 13% da receita do Rio Grande do Sul.
RS paga salários de servidores e confirma calote com a União
Crise estadual - Desde que começou a atrasar suas obrigações com a União, em abril, em função do agravamento da crise financeira estadual, o Rio Grande do Sul vinha conseguindo acertar a pendência até a segunda semana do mês subsequente, o que tinha evitado, até o momento, qualquer tipo de sanção por parte do governo federal. Agora, no entanto, não havia previsão para o pagamento do montante relativo a julho. "Nós conversamos com o Ministério da Fazenda (nos últimos meses). É possível que eles não tenham sido céleres em outros meses, entendendo as dificuldades do Estado do Rio Grande do Sul, a situação de emergência que estamos passando, mesmo com o contrato que obriga o bloqueio nos primeiros dias (de atraso). Só que agora eles bloquearam", avaliou.
O contrato de refinanciamento da dívida prevê que, em caso de calote a União também poderia reter repasses federais ao Estado, possibilidade que era aventada nos últimos dias pelo próprio governo estadual. No entanto, a opção do governo federal foi por bloquear as contas do Estado no Banrisul.
De acordo com Feltes, a sanção que torna a situação do Rio Grande do Sul "ainda mais difícil" e irreversível. "É um contrato, nem o governo federal pode abrir mão disso, nem tem nada que nós possamos fazer agora, no imediatismo, que reverta esta situação", afirmou. Nesta quarta-feira, o governador José Ivo Sartori (PMDB) cumprirá agenda em Brasília, onde terá audiência com o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive. Ele também se reunirá com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
(Com Estadão Conteúdo)
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