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Depois de Renan, ala do partido na Câmara ensaia revolta contra o governo de Dilma; deputados dizem que articulação política é insuficiente para dar ao partido poder de decisão

Tão logo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) sinalizou com um arrefecimento da briga com o Planalto, deputados do maior partido aliado do governo, o PMDB, deram início às críticas ao novo modelo lançado pela presidente Dilma Rousseff, que incorpora à articulação política do governo ministros de outras pastas, incluindo o titular da Secretaria de Aviação Civil, Elizeu Padilha (PMDB-RS).
O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante: peemedebistas agora objetivam seu cargo
Allan Sampaio/iG Brasília
O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante: peemedebistas agora objetivam seu cargo
De acordo com alguns peemedebistas, o partido ainda se ressente de não ter uma pasta forte no Planalto, com poder de decisão. Esta pasta, para deputados do partido, é a Casa Civil, hoje comandada pelo petista Aloizio Mercadante (SP).
"Não há articulação política sem caneta", reclamou o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) um dos políticos mais engajados na eleição do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "O único responsável pela articulação hoje é o Mercadante. A Secretaria de Relações Institucionais não tem poder de decisão. Deveria ser chamada de ouvidoria", criticou, referindo\-se à secretaria hoje comandada por Pepe Vargas (PT-RS), que Dilma estuda entregar a um peemedebista.
Se sentindo alijada das decisões, parte da bancada diz não ter entendido o rearranjo proposto pela presidente que chamou, além de Padilha, os ministros das Cidades, Gilberto Kassab (PSD-SP), e de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), para integrar a coordenação política do governo.
"Tudo está ainda muito nebuloso, não sabemos qual será função desses novos articuladores", disse o deputado Danilo Forte (PMDB-CE). Não sabemos como é que vai ficar. Será que Mercadante ainda será o maestro do governo?", questionou o deputado.
Ao anunciar a nova distribuição de funções, Dilma negou, no entanto, a intenção de demitir os ministros petistas. Para alguns integrantes do PMDB, a perspectiva de desbancar Pepe é insuficiente para o partido. Eles argumentam que a pasta não representa a importância que o partido tem no governo.
"O PMDB tem o vice-presidente (Michel Temer) e os presidentes das duas Casas (Câmara e Senado). Diante disso, nós não queremos ouvir, queremos ser ouvidos", disse Lúcio Vieira Lima.
Diante da abertura na articulação, além da Casa Civil, pasta que hoje concentra as principais decisões do governo, o partido aposta em fazer valer ainda suas exigências de "porteira fechada" das pastas que já comanda.
"Ninguém resolve nada se ela (Dilma) não der condição de resolver. Estamos vivendo um novo momento político e o governo enfrenta uma crise forte de popularidade. Sabemos que com a crise o governo fica mais dependente do Congresso", ressaltou o deputado baiano.
Renan: assim que ele sinalizou briga com Planalto, colegas passaram a criticar medidas de Dilma
Agência Senado
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MágoaA indisposição do PMDB com Mercadante, tanto do Senado como da Câmara, se agravou no início deste ano. O PMDB o acusa o ministro de ter se articulado com Kassab e com o ministro da Educação, Cid Gomes (PROS-CE), para a criação de um novo partido ou de uma articulação de partidos para de apoio à Dilma para que o governo deixasse de depender do PMDB.
Os peemedebistas consideram que esta movimentação foi o estopim da rejeição. A postura concentradora de Mercadante no Planalto e o alijamento de Temer do núcleo de decisão acabou por azedar aida mais relação entre o governo e o maior partido aliado.
Outros integrantes do partido também avaliam que o momento de crise é propício para ampliar o domínio, reinvindicando pastas de primeiro escalão, como o Minsitério de Integração Nacional, e de segundo escalão, como o controle da Transpetro, subsidiária da Petrobras, alvo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Renan deu sinais de "distencionamento" com o Planalto cumprindo, nesta semana, o acordo feito com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de colocar em votação do veto da presidente em relação ao Impostos de Renda, em troca da medida provisória que reajusta as alíquotas.
A avaliação da maior parte dos peemedebistas é de que os recados passados por Renan foram entendidos pela presidente e acabaram "funcionando" para criar um ambiente no qual o partido pode exigir agora mais cargos.
ArticulaçãoO anúncio de ampliação da articulação política foi feito nesta semana por Dilma. "Não há nenhuma modificação na coordenação política, a não ser o seguinte: nós vamos aumentar o número de pessoas e de partidos, obviamente. E vamos fazer um rodízio sistematicamente trazendo ministros novos para o debate. Vamos colocar na coordenação os ministros Kassab, Aldo Rebelo, Padilha. Vamos chamar eventualmente ministros para participar da discussão quando, principalmente, o assunto for correlato a ele”, declarou a presidenta.
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Após o sinal de Dilma, Padilha começou a agir em nome do governo no Congresso. Ele aproveitou que estava na Câmara para uma Comissão Geral sobre assuntos da Aviação Civil e se reuniu com o presidente da Casa, Eduardo Cunha.
"Eu contruibuirei com a articulação, mas ficarei na lá na Aviação Civil. Foi isso que a presidente me pediu", disse o ministro, ao deixar a reunião. "Com uma articulação ampliada, com certeza tudo ficará mais fácil", comemorou o ministro.
A movimentação de Padilha, no entanto, esvazia as funções de Pepe Vargas que já conta com a resistência de Cunha desde a eleição. O presidente da Câmara acusa Pepe de ter agido indevidamente na campanha para derrotá-lo e eleger o petista Arlindo Chinaglia, seu principal adversário na disputa.
Apesar da indisposição de Cunha com Pepe, as críticas dos peemedebistas, no entanto, se voltam muito mais contra Mercadante, acusado por eles de agir "como um trator" e azedar a relação do Planalto com os aliados.
FamaNo meio político, a fama de grande articulador construida por Padilha durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do qual foi ministro dos Transportes, seria suficiente para aniquilar as funções de Pepe Vargas.
Uma dos elogios mais comuns à habilidade política de Padilha é de que ele era capaz, no governo tucano, de acertar o placar de cada votação de interesse do governo na época. Segundo pessoas próximas. Padilha já começou a fazer sua tabela com os nomes de deputados e senadores para começar a fazer o mesmo para o governo de Dilma.

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