Pular para o conteúdo principal

    Em peregrinação na Fiesp, Levy ouve críticas sobre aumento de impostos

    Em almoço com representantes do setor produtivo, ministro da Fazenda defendeu a importância do diálogo e reforçou necessidade de reformas

    Por: Luís Lima - Atualizado em
    O ministro da Fazenda Joaquim Levy
    O ministro da Fazenda Joaquim Levy(Eraldo Peres/AP)
    Após participar de reunião na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na manhã desta segunda-feira, ministro da Fazenda, Joaquim Levy, continuou sua peregrinação na capital paulista em defesa do ajuste fiscal. Durante a tarde, Levy participou de um almoço com cerca de 25 representantes do setor produtivo na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na saída do evento, o ministro comentou que a reunião havia sido "muito boa" e reforçou a importância do diálogo e da transparência, bandeiras sistematicamente defendidas pela atual equipe econômica. "O ajuste fiscal é quase uma unanimidade entre as classes produtoras", declarou a jornalistas.
    Leia também:
    Joaquim Levy: Ajuste fiscal não é 'derrama de impostos'
    O "quase" proferido pelo ministro foi explicado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que disse que a divergência que ainda há no setor produtivo é sobre a forma de conduzir o ajuste - e não as reformas em si. "Na nossa visão, é possível fazer o ajuste fiscal reduzindo despesas. E esse é o ponto que nós divergimos. Nós queremos que seja feito um ajuste fiscal no sentido de reduzir despesas do governo e não de aumento de receitas", disse. Segundo ele, como não há crescimento na atual conjuntura, aumentar receitas implicaria em elevar impostos, o que a sociedade rejeita.
    Skaf ainda disse que colocou a necessidade do diálogo com o governo e comentou mudanças no PIS/Cofins. "Nós não queremos ver [a mudança] depois de ela ter sido apresentada. Nós precisamos ver essa medida antes", afirmou. Segundo ele, uma alternativa é uma simplificação, no sentido de unir os dois impostos. Outra é elevar a carga, o que não seria ideal.
    LEIA MAIS:
    Levy terá de fazer ajuste mais duro desde o início do Plano Real
    Levy diz que rapidez no Congresso é essencial para retomada do crescimento
    Sobre a MP 669, que eleva tributos sobre a folha de pagamentos, Skaf disse que é preciso dar uma solução rápida para a questão. A medida foi recentemente devolvida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, mas está em vigor. "Se isso não for definido até o mês de maio, as empresas não saberão nem o caminho que tomar", afirmou. "Estamos saturados de pagar impostos, a carga tributária já é muito alta", afirmou, acrescentando que a indústria representa 13% do PIB e paga 33% dos impostos recolhidos.
    Questionado sobre se as manifestações populares estiveram na pauta do encontro, Skaf negou e disse que apenas questões mais "técnicas" foram discutidas. "Levy, que é uma boa pessoa, é um técnico, então não discutimos questões políticas com ele", disse Skaf.
    Na relação conturbada com o Congresso, Skaf disse que é importante o governo acenar no sentido de ter autoridade para pedir "o sacrifício dos outros". "É muito fácil pedir o seu sacrifício se eu não fizer o meu primeiro", disse.
    Participaram do encontro representantes do setor produtivo como os empresários Abílio Diniz, o economista Delfim Neto, Carlos Alberto de Oliveira Andrade (Caoa), o ex-presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles, o presidente da Anfavea, Luiz Moan e o secretário-executivo adjunto da Fazenda, Paulo Caffarelli.

    Comentários

    Postagens mais visitadas deste blog

    Procurador do DF envia à PGR suspeitas sobre Jair Bolsonaro por improbidade e peculato Representação se baseia na suspeita de ex-assessora do presidente era 'funcionária fantasma'. Procuradora-geral da República vai analisar se pede abertura de inquérito para apurar. Por Mariana Oliveira, TV Globo  — Brasília O presidente Jair Bolsonaro — Foto: Isac Nóbrega/PR O procurador da República do Distrito Federal Carlos Henrique Martins Lima enviou à Procuradoria Geral da República representações que apontam suspeita do crime de peculato (desvio de dinheiro público) e de improbidade administrativa em relação ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). A representação se baseia na suspeita de que Nathália Queiroz, ex-assessora parlamentar de Bolsonaro entre 2007 e 2016, período em que o presidente era deputado federal, tinha registro de frequência integral no gabinete da Câmara dos Deputados  enquanto trabalhava em horário comerc...
    Atuação que não deixam dúvidas por que deveremos votar em Felix Mendonça para Deputado Federal. NÚMERO  1234 . Félix Mendonça Júnior Félix Mendonça: Governo Ciro terá como foco o desenvolvimento e combate às desigualdades sociais O deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) vê com otimismo a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. A tendência, segundo ele, é de crescimento do ex-governador do Ceará. “Ciro é o nome mais preparado e, com certeza, a melhor opção entre todos os pré- candidatos. Com a campanha nas Leia mais Movimentos apoiam reivindicação de vaga na chapa de Rui Costa para o PDT na Bahia Neste final de semana, o cenário político baiano ganhou novos contornos após a declaração do presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, que reivindicou uma vaga para o partido na chapada majoritária do governador Rui Costa (PT) na eleição de 2018. Apesar de o parlamentar não ter citado Leia mais Câmara aprova, com...
    Lula se frustra com mobilização em seu apoio após os primeiros dias na cadeia O ex-presidente acreditou que faria do local de sua prisão um espaço de resistência política Compartilhar Assine já! SEM JOGO DUPLO Um Lula 3 teria problemas com a direita e com a esquerda (Foto: Nelson Almeida/Afp) O ex-presidente  Lula  pode não estar deprimido, mas está frustrado. Em vários momentos, antes da prisão, ele disse a interlocutores que faria de seu confinamento um espaço de resistência política. Imaginou romarias de políticos nacionais e internacionais, ex-presidentes e ex-primeiros-ministros, representantes de entidades de Direitos Humanos e representantes de movimentos sociais. Agora, sua esperança é ser transferido para São Paulo, onde estão a maioria de seus filhos e as sedes de entidades como a CUT e o MTST.