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Gravação comprova que objetivo do Mais Médicos é enviar dinheiro a Cuba

Durante reunião no Ministério da Saúde, funcionários da Opas e do governo discutiram estratégias para esconder a verdadeira utilidade da importação de profissionais cubanos, revela reportagem do Jornal da Band

Mozart Sales, então coordenador dos Mais Médicos pelo Ministério da Saúde, Maria Alice Fortunato e Joaquim Molina, chefe da representação da Opas no Brasil
Mozart Sales, então coordenador dos Mais Médicos pelo Ministério da Saúde, Maria Alice Fortunato e Joaquim Molina, chefe da representação da Opas no Brasil (VEJA.com/VEJA)
Uma gravação divulgada ontem pelo Jornal da Band comprova que há uma trama entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) para acobertar a intenção de favorecer a ditadura cubana por meio do Programa Mais Médicos.
O áudio consiste numa conversa entre a coordenadora do programa pela Opas, a pernambucana Maria Alice Barbosa Fortunato, e funcionários do ministério.
Maria Alice alerta: "Se a gente coloca 'governo cubano', se o nosso documento é público, qualquer pessoa vai entender que a gente está driblando a coisa de fazer acordo bilateral e pode dar uma detonada." Ou seja, Maria Alice deixa claro que não quer que a sociedade brasileira saiba que o programa é, basicamente, um acordo entre Brasil e Cuba (acordo bilateral). Para esconder este fato e tirar o foco de Cuba, ela sugere que o governo inclua médicos de outros países, mas em números muito baixos. "A gente pode colocar neste T.A. (termo de ajuste) Mercosul e Unasul, que vai dar, digamos, dois milhões (de reais) para tirar o foco de Cuba e incluir países do Mercosul e Unasul", diz a funcionária da Opas.
A gravação também mostra que o Brasil lavou as mãos quanto ao confisco, pelo governo cubano, da maior parte do pagamento aos médicos. O assessor especial para assuntos internacionais do Ministério da Saúde, Alberto Kleiman, afirma na gravação que o valor dos salários e a forma de pagamento já haviam sido definidos pelo assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. "Sessenta (por cento) para o governo e 40 (por cento) para o médico. O Marco Aurélio (Garcia) botou isso na reunião, só para socializar", afirma Kleiman. Maria Alice discorda: "A relação é do governo deles, eles que decidem. Não é a gente que vai interferir nisso".
Em outubro de 2013, VEJA revelou como a intermediação da Opas serviu para o governo brasileiro ocultar o verdadeiro objetivo do Programa Mais Médicos - arrumar uma maneira de enviar dinheiro a Cuba. Os registros do Ministério da Saúde permitiram descobrir que o chefe da representação da Opas no Brasil, o cubano Joaquim Molina, apresentou a minuta do contrato no dia 17 de dezembro de 2012, seis meses antes de o programa ser anunciado publicamente, em meio aos protestos de 2013.

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