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Terrorista Cesare Battisti é solto em São Paulo

Justiça acatou um pedido de habeas corpus feito pela defesa do italiano. Battisti deixou a Superintendência da Polícia Federal na capital paulista acompanhado de Eduardo Suplicy

Cesare Battisti deixa carceragem da Polícia Federal, em São Paulo, após habeas corpus
Cesare Battisti deixa carceragem da Polícia Federal, em São Paulo, após habeas corpus(/Reuters)
O terrorista italiano Cesare Battisti foi solto na noite desta quinta-feira após permanecer por quase sete horas preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal de São Paulo. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região de Brasília acatou um pedido de habeas corpus feito pela defesa do italiano. Acompanhado do secretário municipal de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, e do advogado, Igor Tamasauskas, ele deixou o prédio da PF com um sorriso no rosto e foi para casa de táxi. Orientado por seus advogados, Battisti, que foi preso por volta das 17 horas e liberado às 23h45, não falou com a imprensa.
O alvará de soltura foi assinado pelo desembargador Cândido Ribeiro. Na decisão, o magistrado determina a "liberdade imediata" do italiano sob o argumento de que não compete à Justiça Federal ser "instância revisora dos atos impugnados" pelo Supremo Tribunal Federal e pela Presidência da República. Condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos, ele vive em liberdade no Brasil por uma decisão vergonhosa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que rejeitou um pedido de extradição feito pelo país europeu. No final do mês passado, a juíza federal Adverci Rates Mendes de Abreu, da 20ª Vara do Distrito Federal, considerou que o visto de permanência do italiano como refugiado político havia sido concedido de forma ilegal e determinou que ele fosse deportado para a França ou o México, país onde ele chegou a morar antes de vir para o Brasil.
A decisão do desembargador Cândido Ribeiro sobre Cesare Battisti
A decisão do desembargador Cândido Ribeiro sobre Cesare Battisti(VEJA.com/VEJA)
O advogado de Battisti classificou a decisão da juíza como "absolutamente absurda" e disse que vai acionar "as vias correcionais" contra ela. "Entendemos que foi feita a justiça com a celeridade que o caso precisava e agora acreditamos que as coisas entrem nos eixos", avaliou Tamasauskas, um pouco antes de o italiano ser liberado.
Deportação - Segundo a juíza Adverci, a deportação não implica uma afronta à decisão da Presidência da República de não extraditá-lo para a Itália porque trata-se de uma deliberação sobre o visto expedido pelo Conselho Nacional de Imigração. Ou seja, a juíza afirma que Battisti não pode ficar no Brasil porque: 1) entrou no país de forma ilegal; 2) tem condenação por crimes dolosos em sua terra natal; e 3) segundo o STF, ele cometeu crimes comuns, e não políticos."Trata-se de estrangeiro em situação irregular no Brasil e, por ser criminoso condenado em seu país de origem por crime doloso, não tem o direito de aqui permanecer, e, portanto, não faz jus à obtenção nem de visto nem de permanência. Ante o exposto, julgo procedente o pedido para declarar nulo o ato de concessão de permanência de Cesare Battisti no Brasil e determinar à União que implemente o procedimento de deportação aplicável ao caso", diz Adverci em seu despacho.

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