Agência de espionagem britânica intercepta comunicações globais
Novos documentos divulgados pelo jornal The Guardian apontam que a GCHQ atua em conjunto com a Agência de Segurança Nacional americana na coleta de um vasto número de dados telefônicos e de comunicações pela internet
Manifestantes seguram
foto de Edward Snowden, que revelou informações sobre os programas secretos de
vigilância dos EUA e da Grã-Bretanha, durante um protesto a favor do americano
em Hong Kong
O ex-técnico da CIA Edward Snowden parece ser uma
fonte inesgotável de informações sobre programas secretos não só do governo
americano, mas também das autoridades britânicas. Nesta sexta-feira, o jornal
The Guardian revelou mais detalhes sobre a bisbilhotagem da agência de
espionagem britânica Government Communications Headquarters (GCHQ) na vida de
pessoas do mundo todo. Segundo a reportagem, a GCHQ intercepta cabos de fibra
ótica que transmitiam ligações telefônicas e tráfego de internet e compartilha
as informações com a Agência
de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em
inglês) . “Este não é um problema só dos EUA. A Grã-Bretanha tem um cachorro
enorme nesta briga”, disse Snowden, que também já prestou serviço para a
NSA.
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Segundo os documentos apresentados pelo americano
de 29 anos, que está em Hong Kong, o programa conduzido pela agência britânica é
capaz de armazenar grandes
volumes de dados por até trinta dias, período em que podem ser
cuidadosamente analisados. A operação estaria em andamento há dezoito meses. Com
isso, a GCHQ e a NSA podem acessar e processar as comunicações de pessoas
inocentes e também de suspeitos. O pacote inclui ligações telefônicas, mensagens
de e-mail, mensagens do Facebook e o histórico de acesso de qualquer usuário de
internet a websites. Esse processo é considerado legal, apesar de ocorrer sem
discussão pública.
A reportagem afirma que os funcionários britânicos podem afirmar que a GCHQ produz quantidades maiores de metadados do que a NSA – metadados são informações sobre quem está entrando em contato com quem, sem detalhar o conteúdo da comunicação. Os britânicos também têm uma equipe maior dedicada a analisar os dados: eram 300 analistas em maio do ano passado, contra 250 da NSA. Uma fonte próxima do programa de espionagem britânico afirmou ao Guardian que apesar do grande volume de dados coletados, um processo automático permite descartar a maior parte das informações, para que a análise se concentre na busca de pistas que leve ao crime organizado e a planos terroristas.
O programa é realizado em comum acordo com as empresas comerciais, descritas nos documentos como “parceiras de interceptação”. A fonte disse que, na verdade, as companhias são obrigadas a cooperar e proibidas de revelar a existência de mandados que as obrigam a fornecer acesso aos cabos.
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