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O capitalismo e seus protagonistas. A estratégia das empresas. A tal da mão invisível. O espírito animal. E as políticas públicas que ajudam e atrapalham.

BTG aguarda PGR e depoimento de Fonseca

Clientes institucionais esperam para ver se haverá fatos novos

Por: Geraldo Samor
A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve fazer, nos próximos dias, novas denúncias envolvendo André Esteves, de acordo com uma fonte de Brasília.
A equipe de Rodrigo Janot passou os últimos dias finalizando o material.ANDRE-ESTEVES2
Além disso, o sócio do BTG que era responsável pelos investimentos de private equity do banco, Carlos Fonseca, deve depor esta semana na Polícia Federal.
Citado no bilhete encontrado na casa do assessor de Delcídio Amaral, que falava de uma suposta propina paga pelo banco a Eduardo Cunha, Fonseca detém muita informação. Foi ele quem liderou investimentos de mais de 30 bilhões de reais no braço de private equity do banco.
As denúncias da PGR e o depoimento de Fonseca devem fazer desta mais uma semana decisiva para o BTG, na medida em que estes eventos podem determinar se as acusações contra Esteves contaminarão outros sócios e diretores do banco.
Numa tentativa de reforçar sua reputação e isolar o escândalo na pessoa de seu fundador e ex-CEO, o BTG criou na semana passada uma comissão para investigar ‘os assuntos relacionados ao evento André Esteves.’
Em carta enviada sexta-feira à tarde aos clientes, o presidente do conselho do BTG, Persio Arida, escreveu: “É importante para nossa reputação que investiguemos profundamente e de forma independente os assuntos relacionados ao evento André Esteves. Tenho a satisfação de anunciar que Mark Maletz, um de nossos conselheiros independentes, concordou em liderar um comitê do conselho, formado majoritariamente por independentes, para fazer esta investigação. A prioridade do comitê será fazer uma avaliação completa e detalhada destes assuntos e escolher uma firma de advocacia dos EUA para ajudá-los nesta investigação.” (A tradução é da coluna, que recebeu a versão da carta, em inglês, de um investidor do banco.)
Na sexta-feira, o anúncio de que o BTG havia obtido uma linha de até 6 bilhões de reais do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) causou alívio, pelo menos temporariamente. Os títulos da dívida do banco conhecidos como ‘perpétuos’, que haviam fechado a 42% de seu valor de face no dia anterior, chegaram a subir até 49%, mas a último negócio do dia saiu a 41,75%.
Os CDBs, LCIs e LCAs do banco estão tendo uma taxa de renovação praticamente nula. Entre clientes institucionais do banco, avalia-se que as renovações só passarão a ocorrer mais à frente, quando ficar claro que não há novas revelações a serem feitas que envolvam outros sócios do banco. Por isso, os sócios trabalham para gerar liquidez e ter um caixa compatível com o fluxo de vencimentos estimado para as próximas semanas.
“O grande problema é que o BTG tinha um nível de credibilidade que lhe permitia financiar investimentos de mais longo prazo com funding de curto prazo,” diz o tesoureiro de um banco. “Quando tudo ia bem, a arbitragem que o banco fazia tomando dinheiro curto a um custo barato e investindo em ativos de alto retorno no longo geravam um mega resultado. Com essa crise, a equação se inverteu. O funding secou, o custo explodiu e o banco tem que liquidar os ativos a um desconto para fazer frente às necessidades de liquidez.”

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