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Tim Kaine, o vice “sem graça” de Hillary Clinton

Pouco inovador, o candidato à vice-presidência dos Estados Unidos é a parceria neutra que Hillary Clinton precisava na corrida eleitoral

Com vasta experiência política e opiniões moderadas, o senador por Virginia, Tim Kaine, foi a escolha segura para completar a chapa da democrata Hillary Clinton na corrida à Casa Branca. Católico e com fluência em espanhol, o candidato à vice-presidência consegue agradar os eleitores tradicionais democratas, as minorias e até mesmo alguns rivais republicanos. Sua inclinação ao centro, porém, é o que incomoda os setores mais progressistas em seu próprio partido.
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Criado em Kansas City, Kaine frequentou uma escola de padres jesuítas e a Universidade do Missouri, antes de completar sua formação como advogado em Harvard. Na juventude, longe de ter o carisma de um político nato, o democrata mostrou mais inclinação para causas religiosas e humanitárias do que para a vida pública. Kaine chegou a parar os estudos durante um ano para servir como missionário em Honduras, onde aprendeu a falar espanhol. “Eu faço o que faço por razões espirituais”, afirmou em entrevista à emissora C-SPAN.
Aos 58 anos, Kaine é um dos trinta atuais políticos americanos que pode colocar no currículo três dos principais cargos políticos do país — prefeito, governador e senador.  A carreira construída no pequeno Estado da Virgínia, para onde se mudou por influência da então namorada e hoje mulher, Anne Holton, passou despercebida a nível nacional. Durante 17 anos, Kaine atuou como advogado em Richmond, onde se especializou em representar pessoas que tiveram moradia negada por serem negras. Inspirado pelo sogro, um ex-governador republicano, decidiu se aventurar na política local.
Ao contrário de sua parceira nas eleições, o candidato à vice tem uma habilidade invejável para ficar longe de polêmicas, mais um argumento para reforçar seu papel como uma escolha “neutra” para corrida eleitoral. Com uma investigação envolvendo os e-mails de Hillary, Kaine foi visto pela imprensa americana como uma forma de ocupar cargo sem trazer novos motivos para ataques republicanos. Em entrevista à rede CNN, o senador reconheceu ter uma personalidade tão sem graça que se considera um “chato”. “Chatos representam o grupo demográfico que mais cresce no país”, brincou.
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Apesar da ficha limpa perante à Justiça, uma acusação da imprensa contra o democrata foi suficiente para o candidato republicano Donald Trump escolhesse o apelido de “Kaine corrupto”. De acordo com o Projeto de Acesso à Informação da Virgínia, Kaine recebeu 160.000 dólares (530.000 reais) relativos a presentes entre 2001 e 2009, quando ocupou os cargos de governador e vice. A maior parte do valor está ligada a viagens para eventos políticos e conferências, além de uma semana de férias no Caribe. De acordo com o site Politico, que publicou os dados, todos os presentes foram legais segundo as regras do Estado.
Com o histórico raso de críticas de opositores, Kaine encontrou alguns problemas com a ala mais progressista do Partido Democrata. Os apoiadores do antigo pré-candidato Bernie Sanders, por exemplo, esperavam uma escolha mais ousada para vice. Umas das alegações é a desconfiança com a mudança de opinião do senador sobre temas polêmicos, como aborto e casamento gay. Em sua campanha para governador, em 2005, Kaine chegou a colocar a redução de abortos como uma de suas promessas. Em 2001, quando era prefeito de Richmond, também declarou ser contrário ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, apesar de defender que “não deveriam ser discriminadas”.
Na campanha ao lado de Hillary, Kaine tem se esforçado para limpar seu histórico, deixando claro que separa completamente visões políticas e particulares. “Pessoalmente, sou contrário ao aborto, mas acredito profundamente que assuntos de reprodução, intimidade e contracepção estão na esfera pessoal”, afirmou, em entrevista à rede NBC. “São decisões morais para um indivíduo fazer por conta própria e a última coisa que precisa é que o governo interfira nessas escolhas”. É difícil que Kaine atrapalhe a corrida democrata, mas sua personalidade “em cima do muro” também não deve atrair eleitores.

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