Lula e Dilma controlavam arrecadação de propinas, diz delator
Delcidio do Amaral confirmou que Dilma e Lula também também tentaram frear a Operação Lava-Jato

Delcídio complica Lula e Dilma (VEJA.com/VEJA/VEJA)
Leia também: Denunciado, Lula se faz de vítima. E nada explica sobre acusações
De acordo com o ex-parlamentar, após o mensalão, Lula decidiu consolidar uma base de aliados para o seu governo. Com isso, entregou duas diretorias da Petrobras nas mãos do PMDB e do PP. O primeiro partido recebeu a área internacional da estatal, enquanto o segundo ficou com a de abastecimento. “Na formação do governo Lula o loteamento de cargos servia para alinhar a máquina política e arrecadar propinas”, afirmou Delcidio. “O projeto era de consolidação do poder, ampliação e retorno, com base na arrecadação de propina”, disse o ex-senador.
Questionado sobre a participação de Lula no esquema do petrolão, Delcidio afirmou que “sem dúvida nenhuma ele (o ex-presidente) possuía conhecimento do esquema ilícito”. “A Petrobras no governo do presidente Lula tinha atenção especial, com envolvimento direto do presidente Lula”, disse o ex-parlamentar. Sobre o envolvimento da ex-presidente Dilma, Delcidio afirmou que “não sabe dizer se Dilma sabia da total amplitude do que estava por trás das indicações para os diretores e presidentes da Petrobras, mas presume que sim”.
O ex-senador ainda relatou que no final de 2014, após as prisões dos empreiteiros na Lava-Jato, Lula e Dilma discordaram sobre os rumos das investigações do petrolão. De um lado, o ex-presidente achava que deveria ser criado um comitê de crise no Planalto e no Congresso. Do outro, a sua sucessora pensava que o escândalo não chegaria à soleira da sua porta. “Quando Dilma resolve tomar uma atitude já não havia mais tempo”, contou Delcidio.
A atitude tomada por Dilma, segundo o ex-senador, foi nomear Marcelo Navarro como ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar tirar os empresários da prisão em Curitiba. Já Lula se reuniu em seu instituto, em São Paulo, com o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Edison Lobão (PMDB-MA) e Delcidio para discutir formas de frear a Lava-Jato. Por causa dessas ações, denunciadas na delação de Delcidio, os dois ex-presidentes estão sendo investigados por obstrução da Justiça.
Comentários
Postar um comentário