Pular para o conteúdo principal

PF suspeita que João Santana destruiu provas na Lava Jato

Policiais dizem que marqueteiro mentiu em depoimentos e pedem que Moro decrete prisão preventiva do casal

João Santana, o marqueteiro da campanha eleitoral de Dilma Rousseff
NA LIXEIRA – No dia em que Polícia Federal deflagrou a 23ª fase da Operação Lava Jato, o publicitário João Santana excluiu uma conta do Dropbox, ferramenta de armazenamento em nuvem(/Folhapress)
A Polícia Federal investiga se o marqueteiro João Santana e a esposa, Mônica Moura, atuaram para destruir possíveis provas do envolvimento deles em um esquema de pagamentos ilegais alvo de apuração na Operação Lava Jato. Conselheiro da presidente Dilma Rousseff e responsável pelas últimas três campanhas presidenciais do PT, Santana excluiu, no dia 22 de fevereiro, data da 23ª fase da Lava Jato, uma conta que tinha no Dropbox, apagando dados de celulares e computadores antes armazenados em arquivos em nuvem. Para a PF, foi uma "clara tentativa de eliminar eventuais elementos probatórios relevantes que ali pudessem ser encontrados". O episódio foi utilizado pelos policiais para pedirem que o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos do petrolão em Curitiba, converta a prisão temporária do casal Santana em preventiva, que é aquela sem data prévia de duração.
Leia mais:
Na avaliação da Polícia Federal, não há dúvidas de que João Santana e Mônica Moura podem impedir as investigações sobre o escândalo do petrolão se forem colocados em liberdade. Nas investigações, os policiais encontraram uma mensagem de e-mail de Clarice Peixinho, da agência de turismo Polistour, em que ela questiona se compra o bilhete aéreo para que a dupla retorne da República Dominicana, onde fazia a campanha à reeleição do presidente Danilo Molina. A mensagem data de uma sexta-feira, às 23h12, horário pouco usual para um expediente comercial. Mais: um dia antes, na quinta, começaram as mobilizações internas da PF para deflagrar a fase ostensiva da 23ª fase da Lava Jato. Somando os dois episódios, os investigadores concluíram que existe a "possibilidade de que os investigados tenham tomado conhecimento da deflagração da Operação que se daria três dias depois".
Outro fato complica a situação do casal Santana. A secretária da empreiteira Odebrecht, Maria Lúcia Tavares, que contabilizava dinheiro suspeito de ser propina paga pelo grupo, tinha anotações do nome de Mônica Moura, telefones dela e do filho, e vinculações ao nome "Feira", uma referência ao que os policiais dizem ser João Santana. Na contabilidade, referência a horários indicam, segundo a Polícia Federal, possíveis pagamentos de propina, ou acarajés, como diziam os investigados, ao marqueteiro petista. Em novo depoimento, Maria Lúcia, que na primeira oitiva aos policiais havia afirmado que acarajés diziam respeito ao prato típico baiano, permaneceu em silêncio.
João Santana e Mônica Moura já foram ouvidos pela Polícia Federal, admitiram caixa dois de campanha, mas afirmaram que todo o dinheiro que receberam fora do país foi resultado de campanhas que não envolvem políticos brasileiros. Para a PF, a versão é mentirosa. "Exsurgem indícios de que o casal recebeu da Odebrecht recursos no Brasil, o que foi veementemente negado por eles. Não haveria qualquer sentido em receber da Odebrecht valores no Brasil por conta de um suposto pagamento não oficial concernente a serviços prestados a campanhas eleitorais de Angola e Venezuela", dizem os investigadores.
E mais: a própria contabilidade da Odebrecht, com pagamentos de recursos em espécie, afastaria a versão de que os pagamentos teriam sido por conta de campanhas na Venezuela e em Angola, como sustentam João Santana e Mônica Moura. "Em relação às alegações da defesa de Monica Moura e João Santana, cabe destacar que, em que pese a alegação de que 'tanto os recursos recebidos da Odebrecht como aqueles doados por Zwi são de campanhas realizadas no exterior, onde foram feitas seis das nove campanhas presidenciais que comandaram', não foi apresentado qualquer indício que seja, por parte de seus defensores, que corrobore tal afirmação", conclui a Polícia Federal. "Não há um contrato, uma invoice, um registro ou mesmo uma troca de e-mails ou qualquer indício, por menor que seja, apto a corroborar os fatos alegados pela de defesa", completa.
 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Procurador do DF envia à PGR suspeitas sobre Jair Bolsonaro por improbidade e peculato Representação se baseia na suspeita de ex-assessora do presidente era 'funcionária fantasma'. Procuradora-geral da República vai analisar se pede abertura de inquérito para apurar. Por Mariana Oliveira, TV Globo  — Brasília O presidente Jair Bolsonaro — Foto: Isac Nóbrega/PR O procurador da República do Distrito Federal Carlos Henrique Martins Lima enviou à Procuradoria Geral da República representações que apontam suspeita do crime de peculato (desvio de dinheiro público) e de improbidade administrativa em relação ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). A representação se baseia na suspeita de que Nathália Queiroz, ex-assessora parlamentar de Bolsonaro entre 2007 e 2016, período em que o presidente era deputado federal, tinha registro de frequência integral no gabinete da Câmara dos Deputados  enquanto trabalhava em horário comerc...
Atuação que não deixam dúvidas por que deveremos votar em Felix Mendonça para Deputado Federal. NÚMERO  1234 . Félix Mendonça Júnior Félix Mendonça: Governo Ciro terá como foco o desenvolvimento e combate às desigualdades sociais O deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) vê com otimismo a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. A tendência, segundo ele, é de crescimento do ex-governador do Ceará. “Ciro é o nome mais preparado e, com certeza, a melhor opção entre todos os pré- candidatos. Com a campanha nas Leia mais Movimentos apoiam reivindicação de vaga na chapa de Rui Costa para o PDT na Bahia Neste final de semana, o cenário político baiano ganhou novos contornos após a declaração do presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, que reivindicou uma vaga para o partido na chapada majoritária do governador Rui Costa (PT) na eleição de 2018. Apesar de o parlamentar não ter citado Leia mais Câmara aprova, com...
Lula se frustra com mobilização em seu apoio após os primeiros dias na cadeia O ex-presidente acreditou que faria do local de sua prisão um espaço de resistência política Compartilhar Assine já! SEM JOGO DUPLO Um Lula 3 teria problemas com a direita e com a esquerda (Foto: Nelson Almeida/Afp) O ex-presidente  Lula  pode não estar deprimido, mas está frustrado. Em vários momentos, antes da prisão, ele disse a interlocutores que faria de seu confinamento um espaço de resistência política. Imaginou romarias de políticos nacionais e internacionais, ex-presidentes e ex-primeiros-ministros, representantes de entidades de Direitos Humanos e representantes de movimentos sociais. Agora, sua esperança é ser transferido para São Paulo, onde estão a maioria de seus filhos e as sedes de entidades como a CUT e o MTST.