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João Santana e Mônica Moura: sem data para deixar a prisão

Sergio Moro atendeu aos pedidos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, que apontam possível destruição de provas e recebimento de 21,5 milhões de reais da Odebrecht entre 2014 e 2015, e decretou prisão preventiva do casal

João Santana com a mulher Monica Moura foram encaminhados ao IML de Curitiba para passarem por exame de corpo de delito
João Santana com a mulher Monica Moura foram encaminhados ao IML de Curitiba para passarem por exame de corpo de delito.
O juiz federal Sergio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato em Curitiba, determinou hoje a prisão preventiva do marqueteiro João Santana e de sua mulher e sócia, Mônica Moura. Os dois estão presos temporariamente desde a semana passada, quando foi deflagrada a Operação Acarajé, 23ª fase da Lava Jato. Santana e Mônica teriam recebido por meio de uma offshore não declarada no Panamá, a Shelbill Finance, 3 milhões de dólares de duas offshores da Odebrecht, a Klienfeld e a Innovation, e outros 4,5 milhões de dólares de Zwi Skornicki, apontado pelos investigadores como operador de propinas do estaleiro Keppel Fels na Petrobras. Com a decisão do magistrado, o guru das últimas três campanhas presidenciais do PT e sua mulher ficarão presos em Curitiba por tempo indeterminado.
De acordo com o juiz federal, as prisões preventivas são necessárias porque há indícios de "participação prolongada na prática de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, com recebimento, sub-reptício e doloso, de recursos de natureza criminosa do esquema criminoso que vitimou a Petrobras, isso em um quadro de corrupção sistêmica".
Moro atendeu aos pedidos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF), que pediram a conversão das prisões temporárias, que tem prazos para expirar, em preventivas, que não tem prazo definido. Para a PF, o fato de João Santana ter excluído, no dia 22 de fevereiro, data deflagração da Acarajé, uma conta que tinha no Dropbox, apagando dados de celulares e computadores antes armazenados em arquivos em nuvem, foi uma "clara tentativa de eliminar eventuais elementos probatórios relevantes que ali pudessem ser encontrados". Na decisão de hoje, Moro afirma que "apagar os arquivos em nuvem equivale a destruir documentos que podem interessar à investigação".
No pedido do MPF, os procuradores citam, além dos 7,5 milhões de dólares recebidos por Santana e sua esposa na Shelbill, 21,5 milhões de reais recebidos por Santana da Odebrecht entre outubro de 2014, durante as eleições presidenciais que terminaram com a reeleição de Dilma, e maio de 2015. Segundo o MPF, o recebimento oculto do dinheiro "revela claramente que sabiam da origem ilícita dos recursos e que participaram da empreitada para que os valores fossem recebidos à margem da lei, provavelmente em remessas feitas em espécie, controladas apenas a partir da contabilidade paralela armazenada de forma aparentemente segura na residência da secretária do Grupo Odebrecht".

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