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Rússia e China não fecham acordo de gás por divergirem sobre o preço

Moscou diz que ainda há chance de acordo; presidente russo faz visita de Estado à China

 
 
MOSCOU - China e Rússia fracassaram em assinar um acordo de fornecimento de gás avaliado em US$ 400 bilhões, nesta terça-feira, 20, apesar da crescente urgência para o Kremlin em fechar o negócio num momento de isolamento econômico e político em razão da crise na Ucrânia. Negociadores dos dois países foram incapazes de superar as diferenças sobre preço, afirmou um porta-voz do presidente Vladimir Putin em Xangai.
Putin (direita) visita o presidente chinês (esq.) - AP
AP
Putin (direita) visita o presidente chinês (esq.)
Ainda há uma chance para os dois lados fecharem um acordo antes de Putin encerrar sua visita de Estado à China ou, mais provavelmente, a tempo para um fórum econômico na cidade russa de São Petersburgo no fim desta semana.
O acordo era visto como essencial para os interesses econômicos de longo prazo dos países, mas Putin recebeu uma rara indicação de apoio do presidente chinês, Xi Jinping, sobre a crise na ucraniana. Em um comunicado emitido após encontro entre os dois líderes, Rússia e China pediram a redução nas tensões na Ucrânia e "meios pacíficos e políticos para resolver problemas existentes". Os países também se referiram à crise como "doméstica".
Putin é acusado por países do Ocidente de fomentar o sentimento pró-Rússia em regiões separatistas da Ucrânia, que já perdeu a península da Crimeia, anexada por Moscou.
Havia altas expectativas de que a visita de Putin à China daria condições para as duas partes fecharem um contrato no qual a estatal russa Gazprom forneceria à China National Petroleum 38 bilhões de metros cúbicos de gás natural por 30 anos.
Após mais de uma década de conversas, há uma convergência de interesses, em um momento em que países europeus buscam reduzir a dependência do fornecimento de gás russo em meio à crise na Ucrânia e Pequim procura reduzir o uso de carvão em troca de combustíveis mais limpos.
O fracasso em se chegar ao acordo sugere que a China esteja sendo determinada em sua barganha de preço. "Apesar de toda a negociação da Rússia, apesar de seu desespero, a China tem a vantagem", disse Gordon Kwan, chefe regional de pesquisa de petróleo e gás da Nomura Research.
"A China quer realmente levar o preço para baixo. A China tem outras opções, tais como o projeto de gás em Sichuan e o gás natural liquefeito americano. Acho que será um erro da Rússia se não puderem chegar a um acordo apenas por causa do preço", acrescentou.
Moscou disse que ainda há chance de que um negócio seja alcançado. "A visita ainda não acabou. As conversas vão continuar. Progresso significativo foi alcançado, mas ainda é preciso definir o preço", afirmou o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov.
Em conferência sobre a segurança na Ásia, com a presença de líderes do Irã e da Ásia central, Putin espera ampliar acordos e diversificar o mercado para o seu gás natural, que atualmente é voltado para a Europa. / REUTERS

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