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Ministro do STF recua e mantém presos doleiro e outros acusados na Lava Jato

Teori Zavascki reviu despacho após ser advertido sobre o risco de fuga de parte dos acusados para o exterior, mas manteve ordem para que toda a investigação seja remetida ao Supremo

 
 
Brasília - Um dia depois de determinar a soltura de todos os presos acusados pela Operação Lava Jato, o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki voltou atrás. Nesta terça-feira, 20, ele determinou que 11 de 12 acusados de integrar um esquema de lavagem de dinheiro permaneçam presos.

O único que foi solto, o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, permanecerá em liberdade.
Todos os inquéritos e ações penais serão remetidos para o STF por ordem do ministro. Nesta terça, o juiz da 13.ª Vara Federal em Curitiba, Sérgio Moro, que era responsável pelos processos, suspendeu a tramitação de toda a investigação, cancelou uma audiência que já estava marcada e determinou a entrega dos autos e da documentação para a Corte.
Zavascki reviu o despacho anterior após ter recebido informações de Sérgio Moro, relatando haver riscos de fuga de parte dos investigados, especialmente daqueles que estariam também envolvidos com tráfico de drogas. Além disso, ele advertiu que dois acusados mantêm contas bancárias no exterior nas quais estão depositados valores vultosos, o que poderia facilitar uma eventual fuga, conforme o juiz.
Por isso, Sérgio Moro questionou o Supremo sobre a exata extensão da decisão proferida na segunda pelo ministro. Nesta terça, Teori Zavascki afirmou que, para evitar riscos, ele analisaria todo o processo, remeteria para a avaliação do Ministério Público e depois decidiria o que fazer sobre o caso.
"Sem conhecer (os processos), não quero tomar decisões precipitadas", disse Zavascki no início da tarde desta terça, ao ser indagado por jornalistas sobre o fato de ter revisto sua decisão. Ele afirmou que, por enquanto, não tem condições de dizer quem ficará preso e quem ficará solto.
No entanto, o ministro afirmou que "por ora, esses (acusados) que o juiz (Moro) informou que têm envolvimento com o tráfico de drogas vão ficar presos". "O que está solto (o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa) continua", afirmou. Autor da reclamação analisada no início da semana por Zavascki, Costa foi solto na segunda.
"Em face das razões e fatos destacadas nas informações complementares (do juiz), autorizo, cautelarmente, que se mantenham os atos decisórios, inclusive no que se refere aos decretos de prisão", escreveu Zavascki no seu despacho.
Mensagens. De acordo com o ministro, no material enviado pelo juiz havia um relatório de monitoramento telemático de abril no qual foram relacionadas várias trocas de mensagens entre o doleiro Alberto Youssef e Vargas.
"Outros congressistas são relacionados abertamente como suspeitos, a ponto de solicitar-se expressamente, ao Juízo ora reclamado, diligências complementares às já produzidas, tendo alvo outro deputado federal (Cândido Vaccarezza)", destacou Zavascki.
Desmembramento. Na primeira decisão, o ministro determinou ao juiz Moro que encaminhe todos os inquéritos e ações para o Supremo. Na opinião de Zavascki, ao se deparar com suspeitas de envolvimento de deputados nas irregularidades investigadas pela Lava Jato, o magistrado deveria ter imediatamente enviado o caso para o Supremo que, no Brasil, é o tribunal responsável por julgar inquéritos e ações contra parlamentares.
Ao invés disso, o juiz remeteu para o STF uma petição na qual citou os indícios de envolvimento do deputado federal André Vargas com o doleiro Alberto Youssef, preso na operação. O resto da investigação continuou a tramitar no Paraná.

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