China convoca embaixador americano em resposta a acusações de espionagem
Representante chinês advertiu que país poderá tomar 'novas medidas'. EUA acusam cinco militares chineses de ciberespionagem contra empresas americanas
O Departamento de Justiça dos EUA determinou a prisão de cinco hackers militares chineses (Reprodução)
Leia também: EUA liberam imagens de hackers procurados; China critica a ação
O embaixador chinês nos Estados Unidos, Cui Tiankai, engrossou as críticas ao governo americano. “As acusações que os Estados Unidos fizeram contra esses militares são pura ficção e um absurdo extremo”, disse o diplomata, segundo declaração divulgada pelo serviço de notícias estatal chinês. O Ministério da Defesa também convocou o adido militar americano para protestar contra ações “que violam seriamente as normas de governança nas relações internacionais e prejudicam a imagem do Exército chinês”.
O governo chinês apresentou ontem à noite um protesto formal ao americano e anunciou, em represália, a suspensão do diálogo Pequim-Washington em matéria de segurança cibernética. A reação de Pequim às acusações representa o primeiro teste para o embaixador Baucus, que assumiu a posição em março, com o intuito de equilibrar os interesses americanos com a vontade de Washington de ampliar a cooperação econômica com a China – seu maior credor internacional.
Saiba mais:
NSA instalou programas espiões em 100 mil computadores
China cobra explicações dos EUA após denúncia de espionagem
Estados Unidos cobram da China o fim dos ciberataques
O Departamento de Estado americano anunciou ontem o indiciamento de cinco hackers que trabalham para o Exército da China e teriam espionado empresas privadas e uma união sindical americana. Esta é a primeira acusação criminal feita pelos Estados Unidos contra militares estrangeiros.
Mesmo sendo difícil imaginar desdobramentos relevantes na esfera judicial – a possibilidade de os indiciados serem julgados nos Estados Unidos é mínima –, no campo diplomático o caso aprofunda as diferenças bilaterais. Além das questões ligadas à ciberespionagem, Washington e Pequim também deixam claras as discordâncias em relação a temas como direitos humanos, disputas comerciais e a ambição chinesa sobre zonas marítimas na Ásia.
Comentários
Postar um comentário