Cresce abismo entre economias francesa e alemã
Indicadores recentes põem em dúvida o otimismo do mercado de que zona do euro estaria saindo da recessão
LONDRES - O abismo que divide as economias fortes e fracas da zona do euro se alargou para incluir seu par central em fevereiro, quando empresas francesas sofreram seu pior mês em quatro anos em franco contraste com uma próspera Alemanha.
A distância entre as duas maiores economias da zona do euro é a maior desde que os Índices de Gerentes de Compras (PMIs, na sigla em inglês) começaram em 1998, conforme revelou a sondagem mais recente.
Isso desferiu um golpe nas esperanças de que a zona do euro poderia sair em breve da recessão, mostrando que a retração nas empresas da região se agravou inesperadamente neste mês.
Os últimos PMIs também sugerem que o "contágio positivo" entre mercados financeiros observado pelo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, em janeiro, pode demorar muito para filtrar para a economia real.
"A melhora nos mercados financeiros não será suficiente por si só para iniciar uma recuperação econômica", disse Ben May, da Capital Economics.
Enquanto empresas na Alemanha mantinham uma taxa de crescimento saudável, as empresas francesas de serviços sofreram seu pior baque desde a Grande Recessão no início de 2009.
Os PMIs pesquisam milhares de empresas a cada mês e estão em nítido desacordo com o ânimo otimista nos mercados financeiros e a melhora da confiança do investidor, sugerindo que a economia real não está conseguindo melhorar por trás de um lustro de otimismo.
A compiladora de pesquisas Markit disse que os dados franceses eram mais condizentes com uma economia periférica em dificuldade da zona do euro como Espanha e Itália, do que com um motor de crescimento chave junto com a Alemanha.
"Há questões na economia francesa que estão sendo desmascaradas pela profundidade e severidade desta crise", disse Peter Dixon, economista de capitais globais do Commerzbank.
Ele disse que a França tem grandes problemas estruturais, e também que a atividade empresarial pode ter sido obstruída pela confusão nas políticas econômicas do governo.
O PMI Eurozone Services da Markit caiu, em fevereiro, de 48,6 para 47,3, marcando um ano abaixo do limiar de 50 para o crescimento e confundindo expectativas para um aumento para 49,0 de mais de 30 analistas consultados pela Reuters.
Nenhum deles previra uma leitura tão ruim.
Markit disse que os últimos PMIs apontavam para um encolhimento da economia da zona do euro de 0,2% a 0,3% no primeiro trimestre, depois de uma contração estimada de 0,4% no fim do ano passado.
Isso é mais preocupante do que a pesquisa da Reuters com economistas da semana passada, que sugeriu que a economia ficará apenas estagnada neste trimestre.
Na Holanda, a confiança do consumidor caiu para seu nível mais baixo desde que os registros começaram, o desemprego atingiu seu ponto mais alto em 16 anos, e os preços das casas mostraram a queda anual mais acentuada desde 1995.
Contágio, mas não positivo. Ao contrário das vizinhas França e Holanda, a Alemanha teve um bom começo de ano.
O moral do investidor alemão subiu neste mês ao seu nível mais alto em quase três anos. O escritório de estatísticas informou na terça-feira que o emprego cresceu para um ponto mais alto desde a reunificação, no quarto trimestre.
"A Alemanha está numa posição muito melhor. Em termos de exportações, ela provavelmente está mais exposta aos mercados emergentes da Ásia do que qualquer outra grande economia europeia", disse Dixon, do Commerzbank.
"Por essa razão, acredito que ela provavelmente se beneficiará do crescimento da demanda na Ásia em particular." Mesmo assim, há limites para o que a prosperidade alemã pode fazer pelo resto da região, assolada por dura austeridade orçamentária e aumento do desemprego.
"Os números atuais são um teste de realidade: a melhoria da Europa foi até agora uma história de mercados financeiros, enquanto a economia real continua estagnada", disse Peter Vanden Houte, economista-chefe para a zona do euro na ING.
"O pano de fundo positivo é que, agora que os mercados perceberão que a recuperação da zona do euro continua sendo uma estrada longa e sinuosa, parte da pressão pelo aumento da taxa de câmbio do euro provavelmente desaparecerá."
O euro caiu para um ponto mais baixo em seis semanas, para US$ 1,32, após a divulgação dos dados, enquanto os papéis acionários europeus sofreram uma forte queda.
Os pedidos novos em empresas do setor de serviço da zona do euro – que incluem bancos, empresas de TI, hotéis e restaurantes – caíram a uma taxa mais acelerada neste mês, e o índice encolheu fortemente de 48,4 em janeiro para 46,0.
A distância entre as duas maiores economias da zona do euro é a maior desde que os Índices de Gerentes de Compras (PMIs, na sigla em inglês) começaram em 1998, conforme revelou a sondagem mais recente.
Isso desferiu um golpe nas esperanças de que a zona do euro poderia sair em breve da recessão, mostrando que a retração nas empresas da região se agravou inesperadamente neste mês.
Os últimos PMIs também sugerem que o "contágio positivo" entre mercados financeiros observado pelo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, em janeiro, pode demorar muito para filtrar para a economia real.
"A melhora nos mercados financeiros não será suficiente por si só para iniciar uma recuperação econômica", disse Ben May, da Capital Economics.
Enquanto empresas na Alemanha mantinham uma taxa de crescimento saudável, as empresas francesas de serviços sofreram seu pior baque desde a Grande Recessão no início de 2009.
Os PMIs pesquisam milhares de empresas a cada mês e estão em nítido desacordo com o ânimo otimista nos mercados financeiros e a melhora da confiança do investidor, sugerindo que a economia real não está conseguindo melhorar por trás de um lustro de otimismo.
A compiladora de pesquisas Markit disse que os dados franceses eram mais condizentes com uma economia periférica em dificuldade da zona do euro como Espanha e Itália, do que com um motor de crescimento chave junto com a Alemanha.
"Há questões na economia francesa que estão sendo desmascaradas pela profundidade e severidade desta crise", disse Peter Dixon, economista de capitais globais do Commerzbank.
Ele disse que a França tem grandes problemas estruturais, e também que a atividade empresarial pode ter sido obstruída pela confusão nas políticas econômicas do governo.
O PMI Eurozone Services da Markit caiu, em fevereiro, de 48,6 para 47,3, marcando um ano abaixo do limiar de 50 para o crescimento e confundindo expectativas para um aumento para 49,0 de mais de 30 analistas consultados pela Reuters.
Nenhum deles previra uma leitura tão ruim.
Markit disse que os últimos PMIs apontavam para um encolhimento da economia da zona do euro de 0,2% a 0,3% no primeiro trimestre, depois de uma contração estimada de 0,4% no fim do ano passado.
Isso é mais preocupante do que a pesquisa da Reuters com economistas da semana passada, que sugeriu que a economia ficará apenas estagnada neste trimestre.
Na Holanda, a confiança do consumidor caiu para seu nível mais baixo desde que os registros começaram, o desemprego atingiu seu ponto mais alto em 16 anos, e os preços das casas mostraram a queda anual mais acentuada desde 1995.
Contágio, mas não positivo. Ao contrário das vizinhas França e Holanda, a Alemanha teve um bom começo de ano.
O moral do investidor alemão subiu neste mês ao seu nível mais alto em quase três anos. O escritório de estatísticas informou na terça-feira que o emprego cresceu para um ponto mais alto desde a reunificação, no quarto trimestre.
"A Alemanha está numa posição muito melhor. Em termos de exportações, ela provavelmente está mais exposta aos mercados emergentes da Ásia do que qualquer outra grande economia europeia", disse Dixon, do Commerzbank.
"Por essa razão, acredito que ela provavelmente se beneficiará do crescimento da demanda na Ásia em particular." Mesmo assim, há limites para o que a prosperidade alemã pode fazer pelo resto da região, assolada por dura austeridade orçamentária e aumento do desemprego.
"Os números atuais são um teste de realidade: a melhoria da Europa foi até agora uma história de mercados financeiros, enquanto a economia real continua estagnada", disse Peter Vanden Houte, economista-chefe para a zona do euro na ING.
"O pano de fundo positivo é que, agora que os mercados perceberão que a recuperação da zona do euro continua sendo uma estrada longa e sinuosa, parte da pressão pelo aumento da taxa de câmbio do euro provavelmente desaparecerá."
O euro caiu para um ponto mais baixo em seis semanas, para US$ 1,32, após a divulgação dos dados, enquanto os papéis acionários europeus sofreram uma forte queda.
Os pedidos novos em empresas do setor de serviço da zona do euro – que incluem bancos, empresas de TI, hotéis e restaurantes – caíram a uma taxa mais acelerada neste mês, e o índice encolheu fortemente de 48,4 em janeiro para 46,0.
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