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Ato do PT para comemorar 10 anos no governo tem críticas ao DEM e a FHC


Rui Falcão disse que partido vai continuar comparando as gestões de Lula e Dilma com a de Fernando Henrique




BRASÍLIA - Críticas ao DEM e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) marcaram o ato político promovido nesta quarta-feira, 27, pelo PT, na Câmara dos Deputados, para comemorar os 10 anos do partido à frente do Palácio do Planalto.
A manifestação aconteceu duas horas depois do bate-boca ocorrido diante da exposição de fotos sobre a trajetória petista, quando parlamentares do DEM resolveram "completar" a história oficial contada pelo PT, no corredor da Câmara, afixando ali uma placa para lembrar o escândalo do mensalão, de 2005.
"Eu estranho que hoje as pessoas apareçam aqui, no PT, quando lá atrás não vi nenhuma delas defendendo o direito de greve. Mudaram de nome, mudaram de partido, de identidade, mas no seu sangue, no seu cérebro está o DNA do autoritarismo, da ditadura", afirmou o presidente do PT, deputado Rui Falcão, numa alusão ao antigo PFL, que deu origem ao DEM.
A exposição de fotos homenageia os 33 anos do PT e os principais momentos do partido -- desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era líder sindical e comandava greves no ABC paulista --, mas "pula" o ano de 2005, quando estourou o mensalão.
"Fizemos uma exposição não datada. Estranho que outros partidos se preocupem com a nossa história, sem estarem preocupados com a história deles", provocou Falcão.
Os deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), condenados pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão, compareceram ao ato político, que também contou com a presença das ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Miriam Belchior (Planejamento). Genoino foi homenageado pelo vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), que o chamou de "referência no Parlamento" e pediu "uma salva de palmas" para ele.
Falcão disse que o PT vai continuar comparando as gestões de Lula e da presidente Dilma com a de Fernando Henrique e não poupou ataques ao tucano. "Tem gente que até pouco tempo atrás era mantido forçosamente na clandestinidade pelos seus candidatos e agora ressurge, querendo uma espécie de alvará, de salvo conduto da história", ironizou Falcão, referindo-se a Fernando Henrique.
Na última segunda-feira, ao participar de um ato ao lado do senador Aécio Neves (PSDB), possível adversário do PT, em 2014, Fernando Henrique chamou Dilma de "ingrata" e disse que ela "cuspiu no prato que comeu". Foi uma resposta à presidente, que, cinco dias antes, em festa do PT, afirmara não ter herdado "nada" da administração tucana.
No contra-ataque, Lula falou que Fernando Henrique "deveria, no mínimo, ficar quieto". Nesta quarta-feira, Falcão foi além: "Quando assumimos, em 2003, faltava até prato."
O deputado ironizou, ainda, declarações de dirigentes do PSDB sobre a necessidade de prévia para a escolha do candidato que disputará a eleição contra Dilma, em 2014. "Aqueles que antes escondiam os seus candidatos à mesa de restaurante agora dizem que vão fazer prévia. Nós nos congratulamos com isso e saudamos a iniciativa", discursou Falcão.
Para o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (SP), o partido já enfrentou situações muito mais difíceis do que o julgamento do mensalão. "É só ver nessa galeria de fotos a quantidade de assassinatos (cometidos contra dirigentes petistas)", comentou ele.
Cuba e mídia. Chinaglia também lembrou a visita da blogueira cubana e colunista do Estado, Yoani Sanchez, para argumentar que o PT não defende o modelo de Cuba para o Brasil. "Mas muitos dos que apoiam a blogueira cubana apoiaram a ditadura aqui", insistiu. "É muito raro e difícil uma geração como a nossa poder comemorar tantos avanços e tantas vitórias no governo", completou Ideli, para quem o PT produziu "a maior mobilidade social do mundo", no menor período de tempo.
No hall da Câmara, Falcão pediu apoio ao que chamou de "luta pelo alargamento da liberdade de expressão" no Brasil e também ao reconhecimento do Código de Ética Jornalística. Advogado e jornalista, Falcão disse que o PT está empenhado nessa campanha "para que não haja nenhum tipo de adulteração nas matérias, ou pelas chefias ou pelos donos das empresas", que, na sua avaliação, "muitas vezes não têm interesse na informação, mas, sim, em defender os seus próprios interesses".
O PT prega um novo marco regulatório para os meios de comunicação, mas nega que a medida tenha o objetivo de controlar o conteúdo da mídia. O assunto, porém, causa polêmica até no governo. "Ninguém vai bisbilhotar a imprensa", diz o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, sempre que é questionado sobre o assunto. "Agora, assim como a mídia pode criticar o PT, o PT pode criticar a mídia. É importante separar a posição do partido da posição do governo".
Antes de se dirigir a um jantar promovido pelo PMDB na casa do vice Michel Temer, com a presença de Dilma, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), passou no ato do PT para prestigiar o partido aliado. "Vim aqui demonstrar o apreço que tenho pela história de um partido tão importante para o Brasil", elogiou Alves, dando tapas nas costas de Falcão.
Os afagos do PMDB - que quer manter a vaga de vice na chapa de Dilma, em 2014 - escondem as cotoveladas na direção dos petistas por causa da reforma ministerial, a ser promovida em março. Hoje, dos 38 ministérios, o PT está no comando de 18 e o PMDB, de 5. Os peemedebistas sonham agora com um ministério com mais "peso" político, como o de Transportes, ocupado atualmente pelo PR. Os petistas, por sua vez, avaliam que o PMDB já está "bem contemplado" na presidência da Câmara e do Senado.

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