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Presidente do Sudão do Sul diz que Sudão declarou guerra

Exército sudanês bombardeou regiões petroleiras na fronteira com o sul

O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, em visita à China, ao lado do presidente Hu Jintao O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, em visita à China, ao lado do presidente Hu Jintao (Petar Kujundzic / Reuters)
O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, afirmou nesta terça-feira em Pequim que Cartum "declarou guerra" contra seu país, em um momento no qual os bombardeios na fronteira entre os dois estados são intensos. Em 11 de abril, os dois países assinaram um acordo de não agressão para acabar com os ataques que só aumentaram com a independência do sul em julho de 2011 e têm piorado nos últimos meses.
Leiam também: ONU quer observadores em área de conflito no Sudão

"Minha visita acontece em um momento crítico para a República do Sudão do Sul, pois nosso vizinho de Cartum declarou guerra ao nosso país", disse Kiir ao presidente chinês Hu Jintao durante uma visita oficial à China, país que foi durante muito tempo um aliado próximo de Cartum. A visita de Kiir pode ter um efeito positivo pelos investimentos de Pequim na região, que obrigam as autoridades do gigante asiático a tentar acalmar os ânimos entre Sudão e Sudão do Sul.

Na madrugada desta terça-feira, a aviação sudanesa bombardeou várias regiões petroleiras na fronteira com o Sudão do Sul, afirmou Taban Deng, governador do estado sul-sudanês de Unidade. "Há feridos que foram levados ao hospital de Benitiu. Alguns são fazendeiros, outros soldados", disse o governador. O serviço de inteligência militar do Sudão do Sul afirmou que o Exército de Cartum prepara uma ofensiva contra Bentiu, capital de Unidade, situada a 60 quilômetros da fronteira.

Acusações - Na segunda-feira, o Sudão havia acusado o Sudão do Sul de querer "minar sua estabilidade" ao manter seu apoio aos rebeldes em seu território. "O governo do Sudão do Sul não respondeu aos chamados reiterados da comunidade internacional e mantém suas atividades hostis para minar a estabilidade e a segurança do Sudão", denunciou o ministério sudanês das Relações Exteriores em um comunicado publicado pela agência oficial Suna.
O Sudão acusa Juba de apoiar os movimentos rebeldes que operam na região de Darfur (oeste), castigada por uma guerra civil, assim como nos estados fronteiriços de Nil Bleu e de Cordofão do Sul, algo que seu vizinho desmente. O ministério também fez referência à cidade de Talodi, em Cordofão do Sul, cujo controle afirma ter tomado parcialmente no domingo à noite os rebeldes do ramo Norte do Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM-N).
Ataques - Os insurgentes atacaram esta cidade por vários dias no início de abril, antes que as tropas governamentais retomassem o controle. O ministério das Relações Exteriores ressaltou que as forças armadas recorreriam ao "seu direito de auto-defesa" e "perseguiriam os agressores não importa onde estivessem".
Na segunda-feira, o presidente sudanês, Omar al-Bashir, havia afirmado que não negociaria com o Sudão do Sul, celebrando a reconquista da zona petroleira de Heglig sobre seu vizinho. "Não se negocia com essa gente", havia declarado Bashir. "Com eles, negociamos com fuzis e balas", disse, depois de ter anunciado triunfalmente que suas forças expulsaram o exército do Sudão do Sul de Heglig, ocupada por 10 dias.

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