Para atrair Centrão nas eleições 2018, Ciro suaviza crítica à reforma trabalhista
Foto: Werther Santana / Estadão
Ciro Gomes
Nas negociações para atrair o apoio de partidos do Centrão, o ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência nas eleições 2018, suavizou o discurso contra a reforma trabalhista. As concessões ou compromissos de Ciro para o bloco partidário formado por DEM, PP, PRB e Solidariedade também incluem a defesa de privatizações e do rigor fiscal. Em outra frente, o presidenciável promoveu uma ofensiva pelo apoio do PCdoB, que esteve ao lado do PT em todas as eleições presidenciais desde 1989. Em evento na Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), realizado nesta terça-feira, 17, em São Paulo, o pré-candidato disse não ser contra a reforma trabalhista, mas “contra essa reforma (proposta pelo governo Temer)”. E justificou o uso da expressão “revogar” usado em outras oportunidades, ao se referir à mesma reforma, como um “cacoete de professor”. “Essa reforma trabalhista, sem embargo de coisas boas, tem problemas. Ela trouxe ao mundo uma insegurança jurídica e insegurança econômica. Isso destrói o capitalismo. O meu compromisso é trazer essa bola de volta para o centro do campo e recolocar a discussão”, disse o ex-governador do Ceará. “Da proposta aprovada, 10% são coisas aberrantes. Você acha que sindicalismo critica o negociado sobre o legislado? Não, falam da situação da grávida em ambiente insalubre”, disse. “Não sou contra reforma, sou contra esta”, completou. Pouco antes das declarações do presidenciável, o economista e ex-secretário da Fazenda do Ceará Mauro Benevides Filho, responsável pelo programa econômico de Ciro, se encontrou em São Paulo com o também economista Cláudio Adilson, ligado ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O encontro, “amarrado” por Maia, tinha como objetivo esclarecer pontos e encontrar convergências entre o programa econômico de Ciro e as propostas do Centrão. Ao Estadão/Broadcast, Benevides afirmou que a orientação política para a discussão econômica com o bloco é que “não existe nada que não possa ser aprimorado ou aperfeiçoado no programa (de governo), que só terá sua versão final em julho”. “Não há discordâncias com os partidos de centro. Nenhum deles, por exemplo, é contra o ajuste fiscal. As conversas avançaram muito. A convergência é expressiva”, disse. A aproximação com o Centrão também tem se dado por meio de um discurso mais amigável às privatizações e ao controle de gastos.
Estadão
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