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Os prós de Neto assumir a coordenação de Alckmin, por Raul Monteiro*

Foto: Reprodução Facebook
Prefeito ACM Neto, um dos responsáveis pelo fortalecimento de Geraldo Alckmin
É fruto basicamente de reconhecimento o convite para que ACM Neto assuma a coordenação geral de campanha do tucano Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República, proposta que o presidente nacional do DEM analisa com cuidado devido à obrigatoriedade de se licenciar do cargo de prefeito de Salvador e do distanciamento que acabará sendo obrigado a adotar com relação à campanha do correligionário José Ronaldo, pré-candidato a governador da Bahia, já que talvez precise ficar até cinco ou mais dias da semana em São Paulo, QG do presidenciável, nos próximos dois meses.
Afinal, foram graças às articulações comandadas pelo prefeito baiano que o Centrão acabou migrando para o lado de Alckmin, tornando sua candidatura à sucessão presidencial um fato consumado. A conversão ocorreu no momento em que, ajudado pelos argumentos de ACM Neto, o PR de Valdemar Costa Neto resolveu sinalizar apoio ao ex-governador de São Paulo, levando a balança dos partidos que integram o grupo, até aquele momento divididos entre o tucano e o pedetista Ciro Gomes, a pender irremediavalmente para Alckmin.
As articulações levadas a cabo por Neto no sentido do apoio ao paulista foram resultado de convencimento pessoal e político, fortalecido numa data histórica para a Bahia, a festa do 2 de Julho, quando o prefeito de Salvador percebeu, durante o evento, que a identidade de Ciro era visivelmente maior com o PT de Jaques Wagner e Rui Costa, presentes à festa, e não com o seu DEM. Até aquela data, como é possível recordar, Neto ainda acalentava o projeto de se aproximar do ex-ministro, embalado pela idéia de que o PT poderia aderir ao pedetista, passando a mandar num eventual futuro governo.
Sinais neste sentido saíram principalmente da Bahia, onde Jaques Wagner foi o primeiro a acenar com a possibilidade. Quis o destino, no entanto, que o ex-presidente Lula e boa parte do PT rejeitassem a proposta, bem como, fiel ao estilo verborrágico e agressivo, o próprio Ciro perdesse as condições de costurar o apoio dos petistas a si próprio. Fato é que hoje, em retribuição ao desempenho de Neto, Alckmin não vê alternativa para o prefeito senão aceitar o convite, da mesma forma que assim pensam os partidos do Centrão, o que torna seu nome uma rara unanimidade.
E, embora Neto tenha argumentos fortes para rejeitar o convite, existem um sem número de outros deles, mais favoráveis à idéia de que assuma o desafio. Primeiro, o fato de que se Alckmin é de fato encarado por forças como a que controla como a melhor alternativa, cabe a ele arregaçar as mangas na campanha para ajudar na sua eleição. Segundo, porque, uma vez lá, dificilmente não será convidado a assumir o ministério que quiser – muitos já falam na Casa Civil -, caso Alckmin ganhe. Terceiro, é que parece ter chegado uma boa oportunidade para dar a volta por cima nas críticas que hoje seus adversários lhe dirigem por ter evitado concorrer ao governo do Estado contra o PT.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

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