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Maranhão pede a líder do PMDB na Câmara oportunidade para acertar

Eduardo Anizelli/Folhapress
Waldir Maranhão, presidente interino da Câmara, deixa gabinete da vice-presidência e segue para reunião da Mesa Diretora, em Brasília
Waldir Maranhão (PP-MA), presidente interino da Câmara
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Ameaçado pelas mais variadas correntes partidárias, o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA) se reuniu com o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), para pedir uma nova oportunidade para acertar no comando da Casa.
Logo após assumir a cadeira, Maranhão acolheu um pedido de Advocacia-Geral da União e anulou a sessão em que os deputados aprovaram a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Pressionado, voltou atrás horas mais tarde.
De acordo com o líder peemedebista, Maranhão o chamou para reconhecer que errou ao assinar o pedido de nulidade, reafirmar que não pretende deixar o cargo e pedir uma nova oportunidade para acertar no comando da Câmara.
O apelo de Maranhão ocorre no momento em que vários partidos exigem que ele renuncie ao posto.
"A reunião foi um gesto. Ele pediu pediu desculpas e reiterou que quer ficar na presidência. Eu disse que ele cometeu um erro e, por isso, estava nessa situação. Foi uma conversa inconclusiva. Agora, os líderes partidários precisam decidir qual é o melhor caminho", afirmou Picciani.
Maranhão chegou à Câmara por volta das 10h e está convocando os colegas para conversas em seu gabinete. A tendência é que repita a cada um deles o discurso feito a Picciani.
Ele também falou com o secretário da Mesa Diretora, Beto Mansur (PRB-SP) e, agora, está a portas fechadas com Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
Segundo Mansur, Maranhão fez o mea-culpa e pediu ajuda para tocar as sessões do Plenário, onde ficará exposto a críticas dos colegas ao microfone.
Ainda de acordo com o parlamentar paulista, o presidente interino classificou as acusações contra ele como "besteira" e argumentou que as decisões tomadas até o momento respeitam os limites do cargo que ocupa.
O movimento do presidente interino, isolado neste momento, tem por objetivo angariar apoio para tentar conter a onda suprapartidária determinada a vê-lo fora da principal cadeira da Casa.
A ala anti-Maranhão ameaça entrar com representação no Conselho de Ética para pedir a cassação do colega, sob argumento de que ele não poderia ter anulado a sessão do impeachment numa canetada. Caso ele aceite renunciar, os deputados se comprometem a não dar andamento ao plano.
Waldir Maranhão também pediu ao líder da bancada do seu partido na Casa, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), apoio de líderes partidários para comandar os trabalhos na Casa, mas recebeu como resposta que deveria dar "uma posição o mais rápido possível" sobre uma eventual renúncia ao cargo.
Ribeiro indicou que o melhor seria até esta quinta-feira (12), quando está prevista uma reunião do colégio de líderes. Segundo o líder do PP, a Casa precisa estar com seus trabalhos "normalizados" nos próximos dias porque o provável governo de Michel Temer (PMDB-SP) deverá enviar uma série de medidas para avaliação do Congresso.
O líder do PP deu uma espécie de ultimato a Maranhão, reiterando a decisão da bancada do partido, tomada nesta terça-feira (10), de que o deputado deveria deixar o cargo para que a legenda consiga indicar um novo nome.
"O que eu coloquei é que 'você está ciente da situação. A avaliação é sua, que teve consciência de sua decisão [de anular o impeachment]. Então faça sua avaliação, reflita, eu preciso que você me dê sua avaliação porque eu preciso de uma posição também'", disse Ribeiro após uma reunião de meia hora com Maranhão na sala da presidência da Câmara no início da tarde desta quarta-feira (11).
Maranhão, porém, sinalizou que pretende permanecer no cargo de presidente interino da Câmara com o apoio dos líderes partidários. "Ele está resignado, pensativo, construindo uma decisão e nós esperamos que seja uma decisão rápida", disse o líder do PP.
"Nós [na conversa] contextualizamos a situação da Casa, para que ele tenha a real dimensão do momento e dissemos a ele que gostaríamos de ter uma posição o mais rápido possível. Ele nos pediu um tempo para fazer essa avaliação do quadro político", afirmou Ribeiro. 

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