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UE estuda plano para retirar Grécia do bloco

Documento, batizado de Controle de Dano, prevê principalmente a injeção de bilhões de euros nos bancos para garantir liquidez

14 de fevereiro de 2012 | 23h 00
 
GENEBRA - A saída da Grécia da zona do euro já deixa de ser um tema tabu. Bruxelas se prepara para que o calote seja absorvido pelo restante do bloco e ministros começam a admitir que a volta do dracma em Atenas seria até positiva para o país.
Segundo o Estado apurou, economistas e assessores legais trabalharam de forma incansável nos últimos três meses para montar um esquema que permitisse o menor impacto possível no bloco com a saída da Grécia. O plano B, batizado de "Controle de Danos", foi alvo de intensos debates entre os negociadores dos diversos governos. O esquema inclui, acima de tudo, injetar bilhões de euros nos bancos para garantir liquidez. A estratégia ainda contaria com a ação do Banco Central Europeu (BCE) para comprar uma parte substancial da dívida de Itália, Espanha, Portugal e Irlanda, países que estariam na linha de frente de um contágio do calote grego.
A atuação da UE seguiu a mesma linha de multinacionais, bancos e setor privado que, diante do risco de um calote grego, começaram a desenhar estratégias de sobrevivência.
Reação. Nesta terça-feira, o ministro de Finanças de Luxemburgo, Luc Frieden, declarou abertamente que não excluía a possibilidade de uma expulsão da Grécia e chegou a dizer que uma moratória daria a Atenas "a chance de um novo começo" e até ajudaria o país. O ministro insistiu que preferiria a Grécia na zona do euro. Mas reforçou o discurso de que hoje a Europa está preparada para a saída do país do bloco.
O ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, também admitiu que a Europa está melhor preparada para suportar um calote da Grécia do que estava há dois anos, quando a crise começou. "Queremos fazer de tudo para que a Grécia controle essa crise", disse Schaeuble, em entrevista à rede ZDF. "Mas se tudo der errado, estamos mais bem preparados."
Philipp Roesler, ministro alemão de Economia, seguiu na mesma linha. "Um calote da Grécia perdeu muito de seu terror."
Na Polônia, mesmo fora da zona do euro, o governo também deu sinais de que a queda da Grécia já não teria o mesmo impacto de implosão da zona do euro que há uns meses, justamente por conta da preparação feita por Bruxelas. "Desde a cúpula da UE em dezembro, a situação tem se estabilizado", afirmou o ministro de Finanças polonês, Jan Rostowski. "Isso foi graças às ações do BCE em garantir a liquidez nos mercados", disse à estação de rádio Tok FM. "A saída da Grécia teria sido muito mais grave, dois ou três meses atrás."
No entanto, o polonês não nega que a saída aprofundaria a recessão na Grécia, com bilhões de euros deixando o país.

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