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UE dá sinais de abandonar Grécia à falência

Em Bruxelas, Alemanha, Holanda e Finlândia já pressionariam por moratória e ministro grego denuncia campanha para expulsar o seu país do euro ATENAS - Visto como catastrófico por todos os líderes políticos há poucos meses, o cenário de uma falência desordenada da Grécia vem sendo discutido com cada vez mais força na União Europeia. Desde esta quarta-feira, Bruxelas estaria discutindo o adiamento do plano de socorro de € 130 bilhões para após as eleições legislativas de abril. Até lá, apenas uma parte da ajuda seria concedida, ampliando o risco de moratória. Em Atenas, o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, denunciou uma orquestração para levar o país à falência, excluindo-o da zona do euro.

A tensão cresceu nesta quarta entre Bruxelas e Atenas ao longo do dia, quando os rumores começaram a vazar nas duas capitais. Segundo a agência Reuters, ministros das Finanças da Alemanha, da Holanda e da Finlândia defenderam, em conferência telefônica do Eurogrupo - o fórum de ministros da zona do euro -, a divisão do segundo pacote de socorro em várias etapas.
O valor a ser liberado na primeira delas não foi definido, mas giraria em torno de € 60 bilhões, montante destinado à recapitalização dos bancos e à viabilização da troca de dívidas soberanas com credores privados. Os demais € 70 bilhões seriam condicionados ao resultado das eleições, porque se teme que os partidos não respeitem os termos do acordo. O país precisa com urgência de € 14,5 bilhões para honrar seus compromissos de março e evitar a moratória.
Além das dúvidas geradas pelas eleições, líderes europeus estariam céticos quanto à assinatura do acordo entre os credores privados e a Grécia para o corte de 50% do valor nominal dos títulos da dívida soberana do país, o equivalente a € 100 bilhões até 2020. Também pesa contra o país a imprecisão no anúncio dos cortes de € 325 milhões exigidos por Bruxelas. Em decorrência das questões em aberto, personalidades políticas que antes descartavam a falência agora se mostram tolerantes à ideia. Wolfgang Schäuble, ministro de Finanças da Alemanha, afirmou nesta quarta que a UE estaria "mais preparada do que há dois anos" para enfrentar a hipótese de falência.
As especulações vindas de Bruxelas sobre o cancelamento parcial do pacote de socorro exacerbaram Evangelos Venizelos, que mantém contato direto com os demais ministros do Eurogrupo. "Há forças dentro da Europa que estão brincando com fogo porque acreditam que o acordo de empréstimo não será implementado. Estes se prepararam e querem que a Grécia saia da zona do euro", protestou. "Isso precisa ser entendido na Grécia por todas as forças políticas e sociais. Temos de nos unir para não dar a ninguém a desculpa ou o álibi para forçar tal cenário."
Em discurso ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França, o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, criticou a Grécia por ter sido um "catálogo perfeito das piores práticas na Europa", mas pediu que Bruxelas não exclua o país. "A dureza com a qual a Grécia está sendo tratada pode parecer exagerada, e certamente o é", disse
Papademos. Nos bastidores do Parlamento grego, onde o Estado conversou com deputados da situação e da oposição nesta quarta-feira, o sentimento é de que a Alemanha, ao lado da Holanda e da Finlândia, endureceram as condições à Grécia. O que se comenta no legislativo é que a UE estaria pressionando por um acordo entre os dois maiores partidos do país, o Partido Socialista (Pasok) e o Nova Democracia (ND, liberais), para o cancelamento das eleições de abril. Nesse caso, o atual primeiro-ministro, Lucas Papademos, se manteria no poder sem consulta à população.

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