Povo grego está carregando um 'fardo pesado', diz ministro alemão
Para Westerwelle, porém, implementação operacional precisa começar.
Ele não vê crise no euro, mas sim de endividamento e de confiança.
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"Foi uma decisão difícil. O povo grego está carregando um fardo pesado. Mas este é apenas o primeiro passo. A implementação operacional das reformas precisa começar e nós alemães não esperamos que nenhum outro país fizesse mais do que faríamos. Fizemos reformas estruturais nos últimos dois anos", declarou ele durante palestra.As medidas aprovadas pela Grécia incluem cortes de milhares de empregos públicos, além de uma redução no salário mínimo e de flexibilização de leis trabalhistas - que poderá facilitar a demissão de trabalhadores. Antes da votação, houve protestos na Grécia, que deixaram feridos. Pessoas também foram presas.
Acordo com o Mercosul
O ministro alemão também declarou que a zona do euro está trabalhando para avançar na busca de um acordo de livre comércio com o Mercosul até 2013. Questionado se poderia buscar um acordo bilateral somente com o Brasil, ele respondeu que gostaria de não levar adiante, neste momento, outros debates. "As negociações estão em curso. Não quero sobrecarregá-las, mas aliviá-las", declarou. Um possível acordo entre o Mercosul e a União Europeia é discutido desde 1999. As conversas foram suspenas 2004 e, posteriormente, retomadas em 2010.
Crise
O ministro alemão informou ainda que os europeus estão concientes sobre as preocupações sobre a dívida europeia, que tem deixado os mercados financeiros tensos nos últimos meses.
"Alguns falam da crise do euro, mas eu penso que o termo crise do euro é enganosa. Nós temos, na Europa, uma crise do endividamento e, para alguns países membros, se transformou em crise de confiança. A moeda comunitária europeia é estavel, notável história de sucesso. A inflação é estável também. O euro está em pé de igualdade com o dólar, de modo que se tornou moeda de reserva, algo que não se podia prever no momento de introdução do euro. É a segunda moeda de reserva do mundo, o que é uma situação positiva", declarou Westerwelle.
Mercados
Na visão do ministro alemão, é preciso convencer os mercados que a zona do euro é um espaço de "estabilidade financeira duradoura". "Só poderemos acabar com a crise se mostrarmos ao mundo que conhecemos as dificuldades inerentes ao projeto europeu. A crise de confiança só poderá ser superada com reformas estruturais de longo prazo. Mas a superação a curto prazo é um ponto e também perspectivas de longo prazo. São as duas faces da mesma medalha", disse.
O ministro Westerwelle acrescentou que, para a Alemanha, a União europeia sempre é política. "A resposta política que temos de dar agora. Trabalhamos já para o próximo capitulo da integração europeia. Queremos corrigir estes déficits e abrir um novo capitulo de integração. Lançamos as bases para uma nova cultura de estabilidade da Europa. Corrigimos os erros da nossa integração e iniciamos uma mudança paradigmática porque o estado endividado chegou aos seus limites", afirmou.
Visão da indústria brasileira
Para Paulo Tigre, presidente do Conselho Temático de Relações Exteriores da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a perspectiva de recuperação sustentada da zona do euro tem se revelado "incerta".
"O Brasil e a Alemanha conseguiram reagir bem à crise. Mas acreditamos que a volta ao crescimento mais forte das economias industriais avançadas somente deverá ocorrer na segunda metade da atual década. O Brasil preservou as premissas fundamentais da politica econômica, enfrentou com sucesso a crise e hoje oferece segurança juridica e instituições fortes", disse ele.
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