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Cunha entra em campo para barrar ação do Planalto na eleição do PMDB

Presidente da Câmara quer lançar novo nome e 'bagunçar' as tratativas para escolha do novo líder da legenda. Disputa hoje tem Picciani e Quintão

O presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) durante coletiva de imprensa em Brasília (DF) - 29/12/2015
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)(Reuters)
Em reação à investida do Palácio do Planalto nas tratativas para escolher o novo líder do PMDB na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), resolveu entrar em campo de forma ainda mais incisiva nas articulações. Com o Congresso em recesso, ele dedicou esta terça-feira a traçar estratégias para derrotar o candidato à reeleição Leonardo Picciani (PMDB-RJ), considerado um nome do governo na disputa. Ministros da presidente Dilma Rousseff chegaram a ofertar um ministério em troca da pacificação da bancada, tradicionalmente dividida entre a ala rebelde e a governista, e que pode ser decisiva durante o processo de impeachment da petista. Cunha agora atua para "bagunçar" a disputa.
O presidente da Câmara passou a tarde recebendo deputados mais próximos em busca de um novo adversário contra Picciani. Atualmente há apenas Leonardo Quintão (PMDB-MG) no páreo. A ideia é forçar a realização de um segundo turno com a chegada de um novo nome. Em reunião, foram ventilados ao menos três nomes: Hugo Motta (PB), João Arruda (PR) e Mauro Mariani (SC).
A estratégia de Cunha, no entanto, divide até mesmo a ala contrária a Picciani. "Esse é um jogo de xadrez. Ele quer um terceiro candidato, nós não. Nós temos confiança na campanha do Quintão e o presidente pode nos ajudar com alguns votos de reforço", afirmou o deputado Darcísio Perondi (RS), considerado um dissidente do partido. "Essa proposta será abortada. O grupo entende que eu sou o candidato, e o Eduardo não conduz o grupo. Essa tática vai dividir o nosso lado", disse o candidato Leonardo Quintão.
A batalha contra Picciani pode passar inclusive por uma representação contra ele. Em busca de acelerar o processo e evitar maior influência do Planalto, adversários defendem que a eleição aconteça na primeira semana após o fim do recesso parlamentar e argumentam que o próprio deputado afirmou, da tribuna, que as eleições seriam realizadas no dia 3 de fevereiro. Picciani, porém, definiu que a disputa será apenas no dia 17 de fevereiro, depois do Carnaval. Para Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), se a proposta for mantida, o atual líder mentiu em plenário, o que caracterizaria a quebra de decoro parlamentar - a mesma punição, aliás, que levou Eduardo Cunha ao Conselho de Ética.
Provocações - Nesta tarde, Picciani esteve reunido com seus adversários para definir o rito da disputa. O peemedebista também não cedeu na contagem dos votos - antes havia o acordo de que, em caso de reeleição, o atual líder apenas seria eleito se obtivesse o aval de dois terços da bancada. Agora, ele defende que seja apenas maioria simples, o que o favorece.
Diante de deputados insatisfeitos, ele chegou a ouvir provocações: "Já que você é assessor de Dilma, faça logo o Mauro Lopes (MG) virar ministro", disse Darcísio Perondi, referindo-se à sondagem do Planalto feita a Lopes para ocupar a Secretaria de Aviação Civil (SAC). O vice-presidente Michel Temer deu aval à "promoção" de Lopes, mas o governo ainda não decidiu se entrega ou não o ministério a ele.
Questionado por jornalistas se não poderia desistir da disputa em troca de uma comissão de peso, Leonardo Quintão também atirou contra o atual líder: "Eu estou oferecendo a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ao Picciani para ele nos apoiar", ironizou o deputado mineiro. Em um afago a Mauro Lopes - ou recado ao Planalto - Quintão afirmou ainda que o colega merece um ministério mais robusto, como o dos Transportes. "Aviação Civil é muito pouco. Nós não temos nenhum interesse em um ministério como esse", disse.

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