BC surpreende e mantém a taxa de juros a 14,25%
Sem elevação, prevista por grande parte de economistas e investidores, tendência é dólar seguir em alta
A decisão do Copom surpreendeu os analistas. O mercado abriu a semana com apostas quase unânimes de que haveria alta de meio ponto porcentual da Selic. O quadro começou a virar nesta terça-feira, com declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, dadas após o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisar para baixo suas projeções para a economia brasileira. Em outubro, o Fundo previa retração de 1% para o produto interno bruto (PIB) brasileiro em 2016. Agora, a projeção é de encolhimento de 3,5%.
Tombini afirmou que "todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom" são consideradas para a decisão sobre os juros. A declaração não traz novidade - o BC tem, afinal, que estar atento a todos os elementos que tenham impacto sobre a inflação. Ainda assim, ela foi interpretada como um sinal de que o BC poderia ser comedido na decisão desta quarta, já que a revisão feita pelo FMI nada mais fez do que alinhar as projeções do Fundo a um desempenho da economia brasileira já amplamente esperado pelos agentes econômicos.
A interpretação feita pelo mercado acabou sendo certeira. Ou talvez nem tanto: economistas que revisaram as previsões para a decisão do Copom o fizeram apostando em elevação de apenas 0,25 ponto porcentual. A manutenção era o cenário menos provável desenhado pelos analistas.
Incerteza sobre juros faz dólar subir e fechar a R$ 4,10
Após fala de Tombini, decisão sobre juros nesta quarta virou grande incógnita
Essa divergência, além do "recuo" do BC de uma ação mais firme na política monetária, tendem a puxar a alta do dólar nos próximos dias. Foi o que ocorreu nos últimos dois dias, nas sessões que se seguiram à declaração de Tombini. Nesta quarta, o dólar fechou em 4,10 reais, seu maior valor de fechamento desde setembro do ano passado.
(Da redação)
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