'Só não é pior do que a Venezuela': FMI dobra previsão de queda no PIB para 3%
Na América Latina, Brasil só não fica atrás do país governado por Nicolás Maduro, cuja previsão é de queda no PIB de 10% neste ano
"No Brasil, a confiança de empresários e consumidores continua retraindo em grande parte pela deterioração das condições políticas, o investimento está diminuindo rapidamente e a necessidade de aperto na política macroeconômica está colocando pressão negativa sobre a demanda doméstica", diz o FMI.
Na América Latina, as previsões do Brasil só não são piores do que as da Venezuela, cujas estimativas para o PIB são de contração de 10% e 6%, em 2015 e 2016, respectivamente. Segundo as projeções, o país também deve apresentar um resultado pior do que o da América do Sul no período, que deve encolher 1,5% e 0,3%, no geral. Já a Argentina deve crescer 0,4% neste ano para depois encolher 0,7% em 2016.
As estimativas do fundo são iguais a da agência de classificação de risco Moody's e maiores do que as feitas por agentes de mercado consultados pelo Banco Central. Segundo último boletim Focus, o PIB brasileiro deve encolher 2,85% neste ano e 1% no próximo.
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Segundo o FMI, o crescimento dos países emergentes em 2016 reflete principalmente a recessão menos profunda ou a normalização parcial das condições em países com a situação econômica precária, como Brasil, Rússia e alguns países da América Latina e do Oriente Médio. Além disso, efeitos da recuperação mais forte da atividade em economias desenvolvidas e o afrouxamento das sanções ao Irã também devem influenciar nesse processo.
Inflação - A instituição vê a inflação brasileira desacelerando em 2016, mas ainda longe do centro da meta, de 4,5% pelo
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A previsão é que os preços devem subir 8,9% em 2015 e 6,3% em 2016. Na tentativa de conter a alta nos preços, o Banco Central já elevou a taxa básica de juros (a Selic) a 14,25% e deve manté-la nessa patamar até a inflação começar a convergir para dentro da meta até o fim do próximo ano.
A projeção do FMI para a taxa de desemprego no Brasil é de 6,6% em 2015, subindo para 8,6% em 2016. O fundo estima ainda que o déficit em conta corrente do país ficará em 4% do PIB neste ano e em 3,8% em 2016.
| 2015 (atual) | 2015 (previsão de julho) | 2016 (atual) | 2016 (previsão de julho) | |
|---|---|---|---|---|
| Mundo | 3,1 | 3,3 | 3,6 | 3,8 |
| Economias avançadas | 2,0 | 2,1 | 2,2 | 2,4 |
| EUA | 2,6 | 2,5 | 2,8 | 3,0 |
| Zona do euro | 1,5 | 1,5 | 1,6 | 1,7 |
| Alemanha | 1,5 | 1,6 | 1,6 | 1,7 |
| França | 1,2 | 1,2 | 1,5 | 1,5 |
| Itália | 0,8 | 0,7 | 1,3 | 1,2 |
| Espanha | 3,1 | 3,1 | 2,5 | 2,5 |
| Reino Unido | 2,5 | 2,4 | 2,2 | 2,2 |
| Japão | 0,6 | 0,8 | 1,0 | 1,2 |
| Mercados emergentes | 4,0 | 4,2 | 4,5 | 4,7 |
| Brasil | -3,0 | -1,5 | -1,0 | 0,7 |
| Venezuela | -10,0 | -7,0 | -6,0 | -4,0 |
| Rússia | -3,8 | -3,4 | -0,6 | 0,2 |
| Índia | 7,3 | 7,5 | 7,5 | 7,5 |
| China | 6,8 | 6,8 | 6,3 | 6,3 |
| México | 2,3 | 2,4 | 2,8 | 3,0 |
| África do Sul | 1,4 | 2,0 | 1,3 | 2,1 |
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