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Dilma exige que ministros enquadrem deputados

Presidente convocou sua nova equipe para exigir 'reciprocidade': ela loteou o ministério e em troca quer que as bancadas aprovem projetos de seu interesse

Presidente Dilma Rousseff durante reunião ministerial em Brasília (DF) - 08/10/2015
Presidente Dilma Rousseff durante reunião ministerial em Brasília (DF) - 08/10/2015
Alvo de sucessivas derrotas no Congresso mesmo depois da recente reforma ministerial, a presidente Dilma Rousseff cobrou nesta quinta-feira de sua nova equipe de trabalho a garantia de fidelidade em votações cruciais para o governo na Câmara e no Senado e determinou que ministros agraciados com cargos de primeiro escalão enquadrem as bancadas. A cobrança ocorre após a base governista no Congresso não ter conseguido, tanto na terça quanto na quarta-feira, sequer quórum para a apreciação dos vetos presidenciais à chamada pauta-bomba, o que acabou por adiar por mais tempo o impasse sobre o reajuste salarial de até 78,5% para servidores do Judiciário.
Mesmo depois de uma costura para contemplar aliados insatisfeitos e garantir sete pastas ao PMDB, Dilma não conseguiu acabar de vez com a votação dos vetos. Agora, quer usar também o "ônus" de ser governo para que aliados aprovem temas caros ao Executivo, como medidas de ajuste fiscal e, no limite, a criação de uma nova CPMF. A despeito da dupla derrota nos vetos, o ministro da Casa Civil Jaques Wagner atribuiu hoje a infidelidade da base aliada à falta de conclusão de alguns acordos para cargos dentro de ministérios e nos próprios estados. O novo ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, foi incumbido de concluir esses acordos com os partidos que detêm ministérios e realizar reuniões a cada reclamação dos aliados.
"Será monitorada com olho mais preciso a postura de cada bancada nas votações. A presidente se sente mais confortável e delega isso a Berzoini para fazer uma cobrança mais sistemática e objetiva da postura das bancadas frente às votações de interesse do governo", afirmou Wagner. Para o PMDB, considerado "aliado-problema" do governo, a ideia é que haja reuniões semanais para evitar grandes defecções no Congresso.
"Nas votações, será medido o grau de reciprocidade [dos aliados]", disse o chefe da Casa Civil. Segundo ele, mesmo com a instabilidade de uma ala do PMDB, não está no horizonte do governo fazer novos ajustes nos ministérios e nem sacrificar os recém-empossados ministros peemedebistas. "Está consolidada a reforma que foi feita e a complementação dessa reforma é a desobstrução desses acordos [por cargos]. O macro do acordo está feito e não está suscetível a nenhuma mudança", completou.
Há garantias de que os novos ministros poderão indicar aliados para as pastas desde que não comprometam programas em andamento, como os voltados às Olimpíadas de 2016. Na reunião ministerial desta quinta-feira, pelo menos dois ministros - Antonio Carlos Rodrigues (Transportes) e Gilberto Kassab (Cidades) - prometeram que PR e PSD vão votar alinhados com as instruções do Planalto, apesar de os dois partidos terem sido protagonistas na falta de quórum na sessão que apreciaria os vetos presidenciais nesta quarta. Em plenário, o PR tinha apenas oito dos seus 34 deputados, enquanto o PSD colocou somente nove deputados presentes de uma bancada de 33.
"A reforma começou a ter efeito no dia de hoje", disse o ministro. "Porque o episódio de não ter quórum os vetos foi um toque para nos reunirmos e criou-se um espírito de corpo. Isso dará fluidez maior à nossa relação", resumiu ele.

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