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'Na Hungria, risco de calote é real', diz analista

Economista da Capital Economics explica como as reformas do premiê Viktor Orbán podem agravar os problemas bancários da zona do euro

o premiê húngaro Viktor Orban Premiê húngaro, Viktor Orban: medidas antidemocráticas e perda de poder do Banco Central (Bernadett Szabo/Reuters)
A situação econômica e política da Hungria foi ofuscada nos últimos dois anos por problemas aparentemente muito maiores que atingem a Europa: as turbulências nas dívidas soberanas dos países da união monetária e as dificuldades vividas pela Grécia. Contudo, à medida que a crise europeia se agrava e as saídas tornam-se mais restritas, atores que antes não teriam tanta relevância para o bloco ganham destaque. Desde 2010, quando o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, foi eleito, uma onda antidemocrática – no estilo Hugo Chávez – começou a tomar o país.
Logo em seu discurso de posse, Orbán posicionou-se contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) e as demais instituições soberanas. Em seguida, iniciou um processo de reformas na legislação que fez com que o governo assumisse o poder do Banco Central local. Tantas mudanças motivaram uma reação europeia. Nesta terça-feira, a Comissão Europeia (CE) anunciou a abertura de três procedimentos de sanção contra o governo húngaro pela incompatibilidade das mudanças previstas na nova Constituição nacional com as leis da União Europeia (UE).
Desde meados do ano passado, os investidores fogem do país – e a moeda local (o florim) iniciou acentuada trajetória de queda. Já os títulos da Hungria desceram ao grau especulativo na avaliação das três principais agências de classificação de risco internacionais (Standard & Poor's, Moody’s e Fitch). O FMI bloqueou as negociações para conceder um empréstimo de 20 bilhões de euros ao país. Há sérias dúvidas sobre se o governo conseguirá honrar o pagamento de suas dívidas.
O peso da questão húngara para a eclosão de uma crise sistêmica na zona do euro ainda é incerto. Contudo, a proximidade do país com a Áustria e com a Alemanha causa preocupações. Ambos fazem parte do seleto grupo de seis nações que garantem a sustentação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) – mecanismo que nasceu para resgatar países europeus em dificuldades.
Os bancos austríacos possuem uma exposição de mais de 40 bilhões de dólares a títulos húngaros, enquanto a Alemanha tem na Hungria um importante parceiro comercial no fornecimento de suprimentos para a indústria manufatureira. A interligação das economias não termina aí. “Os bancos húngaros são extremamente dependentes das linhas de crédito dos países mais ricos da União Europeia, como Alemanha, França e Áustria”, afirma o economista William Jackson, da consultoria londrina Capital Economics. Em entrevista ao site de VEJA, o analista alerta: se os bancos credores da Hungria não conseguirem rolar sua dívida, há um risco grave de crise bancária na zona do euro.

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