'Na Hungria, risco de calote é real', diz analista
Economista da Capital Economics explica como as reformas do premiê Viktor Orbán podem agravar os problemas bancários da zona do euro
Logo em seu discurso de posse, Orbán posicionou-se contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) e as demais instituições soberanas. Em seguida, iniciou um processo de reformas na legislação que fez com que o governo assumisse o poder do Banco Central local. Tantas mudanças motivaram uma reação europeia. Nesta terça-feira, a Comissão Europeia (CE) anunciou a abertura de três procedimentos de sanção contra o governo húngaro pela incompatibilidade das mudanças previstas na nova Constituição nacional com as leis da União Europeia (UE).
Desde meados do ano passado, os investidores fogem do país – e a moeda local (o florim) iniciou acentuada trajetória de queda. Já os títulos da Hungria desceram ao grau especulativo na avaliação das três principais agências de classificação de risco internacionais (Standard & Poor's, Moody’s e Fitch). O FMI bloqueou as negociações para conceder um empréstimo de 20 bilhões de euros ao país. Há sérias dúvidas sobre se o governo conseguirá honrar o pagamento de suas dívidas.
O peso da questão húngara para a eclosão de uma crise sistêmica na zona do euro ainda é incerto. Contudo, a proximidade do país com a Áustria e com a Alemanha causa preocupações. Ambos fazem parte do seleto grupo de seis nações que garantem a sustentação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) – mecanismo que nasceu para resgatar países europeus em dificuldades.
Os bancos austríacos possuem uma exposição de mais de 40 bilhões de dólares a títulos húngaros, enquanto a Alemanha tem na Hungria um importante parceiro comercial no fornecimento de suprimentos para a indústria manufatureira. A interligação das economias não termina aí. “Os bancos húngaros são extremamente dependentes das linhas de crédito dos países mais ricos da União Europeia, como Alemanha, França e Áustria”, afirma o economista William Jackson, da consultoria londrina Capital Economics. Em entrevista ao site de VEJA, o analista alerta: se os bancos credores da Hungria não conseguirem rolar sua dívida, há um risco grave de crise bancária na zona do euro.
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