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Europa só vai crescer em 2014, diz FMI

Fundo adverte zona do euro para a necessidade de mudar a estratégia no combate à crise; Brasil terá pior desempenho entre países do Brics

GENEBRA - A zona do euro terá de esperar até 2014 para sair de sua pior crise. Depois da ONU e do Banco Mundial, agora é a vez de o Fundo Monetário Internacional (FMI) também rever para baixo a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 2012 e alertar para a necessidade de rever a estratégia - que até agora não funcionou - para lidar com a crise.
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Um rascunho do novo relatório do Fundo obtido pela agência italiana Ansa confirma que a zona do euro entrará em recessão e contagiará a economia mundial. Nem os emergentes serão poupados, e o Brasil terá o pior desempenho entre as economias do Brics, com uma expansão de 3% do PIB, abaixo do que o governo estima para o ano.
O FMI estima que a economia global terá expansão de 3,3% no ano, 0,7 ponto porcentual abaixo da previsão feita em setembro. Para 2013, a expansão seria de 4%, sempre liderada pelos países emergentes. Os números finais serão apresentados na terça-feira e podem sofrer leves mudanças.
Mas o que preocupa é a zona do euro. A estimativa para 2012 é ainda mais pessimista do que a feita pela ONU e pelo Banco Mundial. Para o FMI, a economia da zona do euro terá uma contração de 0,5% neste ano. Em setembro, antes do início da nova onda de turbulência no continente, a previsão do Fundo ainda era de expansão de 1,1%.
Na avaliação preliminar do FMI, a economia global está de fato "ameaçada pela tensão crescente na zona do euro", área vista como principal motivo da deterioração da situação internacional. A fragilidade do sistema bancário de outros países ricos poderia ser outra ameaça, porque permitiria que o contágio fosse mais rápido entre os países europeus e outras economias.
Cenário. Na Itália e na Espanha, países que foram obrigados a adotar duros cortes de gastos e até trocar de governo, o ano será de uma recessão significativa. Roma perderá 2,2% de seu PIB, ante 1,7% de contração na Espanha, que acumula índice de 22% de desemprego.
Nem Alemanha nem França conseguirão resistir e terão um ano de estagnação. Berlim crescerá 0,3%, 1 ponto porcentual menos do que o previsto e, no primeiro trimestre, deve até registrar contração. A França perde 0,2% do PIB em pleno ano de eleições. O Reino Unido terá expansão de apenas 0,6% e ainda assim graças a uma recuperação no fim do ano.
Os problemas continuariam para a Europa em 2013. Mesmo com a expansão de 1,5% da Alemanha, o bloco terminaria 2013 patinando, com uma alta no PIB de apenas 0,8%. Países como Itália e Espanha continuariam em recessão, com queda no PIB de 0,6% e 0,3%, respectivamente. Um crescimento de fato do continente somente deve ocorrer a partir de 2014, e apenas se a crise da dívida for solucionada.
Para as instituições internacionais, a relação entre política de austeridade e recessão é clara. O FMI observa que o fim da crise só virá por meio de políticas para "resgatar a confiança e apoiar o crescimento na zona do euro". A avaliação é que a crise da dívida não será superada sem crescimento. O Fundo ainda pede um ajuste fiscal e garantias de liquidez aos bancos.
Nos países ricos, a média apenas ficará em terreno positivo - 1,2% - nos próximos dois anos graças aos Estados Unidos, com expansão de 1,8% em 2012 e de 2,2% em 2013.

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