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BNDES suspendeu desembolso de US$ 4,7 bilhões no exterior para empreiteiras da Lava Jato

Decisão veio a público agora, mas foi tomada em maio, ainda na gestão de Luciano Coutinho; obras se espalham por 9 países; 4 deles são ditaduras de esquerda

Por: Reinaldo Azevedo             
 
 
 
Só ficamos sabendo da decisão agora, mas ela foi tomada ainda em maio, na gestão de Luciano Coutinho, o ex-presidente do BNDES: o banco suspendeu um desembolso de US$ 4,7 bilhões em financiamento para empreiteiras brasileiras que executam obras no exterior. Todas elas têm duas coisas em comum: são investigadas pela Operação Lava Jato e tocam projetos em países que não são um primor de transparência. Ao todo, trata-se de 25 contratos executados por Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa nos seguintes países: Angola, Cuba, Moçambique, Venezuela, Argentina, Gana, Guatemala, Honduras, República Dominicana. Não custa notar, os quatro primeiros são ditaduras de esquerda.
Para lembrar: o ex-presidente Lula foi denunciado pelo Ministério Público Federal sob a acusação de ter interferido junto ao banco para beneficiar a Odebrecht. A suposta atuação do ex-ministro Antonio Palocci na instituição para elevar empréstimos para a empreiteira está entre as razões que levaram à decretação de suja prisão preventiva.
A antiga direção do BNDES não agiu exatamente por inciativa própria. Segundo Ricardo Ramos, diretor da área de Comércio Exterior do banco, a decisão foi tomada depois de a Advocacia-Geral da União ter entrado com ação civil pública por improbidade administrativa contra as empreiteiras investigadas pela Lava Jato. O banco consultou a AGU, que recomendou uma revisão dos créditos. Os projetos em curso somavam US$ 7 bilhões, mas US$ 2,3 bilhões já haviam sido liberados.
O BNDES tem, de fato, uma linha de financiamento de exportação de bens e serviços, como informa reportagem de O Globo. A questão é saber se o financiamento de obras de engenharia em países estrangeiros — para efeitos legais, o banco empresta a esses países — atende aos interesses estratégicos do Brasil e cumpre o sentido das letras que compõem o nome BNDES: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Depois de tudo o que se sabe da relação do PT com as empreiteiras — especialmente envolvendo seus principais dirigentes —, é claro que é difícil acreditar que  assim seja. Há mais a considerar: o Tesouro faz aportes de recursos ao BNDES. Para isso, emite títulos, pagando a taxa Selic, hoje em 14,25%, mas empresta os títulos ao banco de fomento cobrando a TJLP (Taxa de Juro de Longo Prazo), que está em 7,5%. Dada também essa relação, pergunte-se de novo: o BNDES financiar obras do Corredor Rodoviário Oriental, em Gana, ou do aeroporto de Havana, em Cuba, caracteriza a melhor escolha que o banco pode fazer?
É claro que, em tese ao menos, esses financiamentos geram divisas para o Brasil. O problema é que a sociedade brasileira sabe muito pouco sobre esses projetos. Quando eles se tornaram notícia, já vieram filtrados pela luz do escândalo. O BNDES ainda tem muito a fazer em favor da transparência.

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